Por Jean Campos – Diário de Cuiabá
A Polícia Federal constatou fortes indícios de participação do presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE), desembargador Evandro Stábile, em suposto esquema de venda de sentenças.
Os passos do magistrado foram seguidos e devidamente registrados através de escutas telefônicas, filmagens e fotografias que integram o inquérito em tramitação no STJ, que embasou a Operação Asafe. O inquérito mostra de que forma as decisões da Justiça Eleitoral eram negociadas e quem atuava no esquema.
As primeiras interceptações da PF revelam um jogo que reúne advogados, desembargadores, servidores e familiares dos acusados.
No primeiro período de interceptações, a polícia identificou indícios da existência de um grupo liderado por Alcenor Alves de Souza – preso durante a operação Asafe -, que teria como objetivo tráfico de influência junto a desembargadores visando à manutenção fraudulenta de sua esposa, Diane Vieira Vasconcellos Alves, à frente da prefeitura de Alto Paraguai. O prefeito da cidade é Adair José Alves Moreira.
Para alcançar seu objetivo, segundo a PF, Alcenor foi auxiliado por seu advogado Eduardo Gomes de Souza Filho e um sobrinho que teria lhe apresentado um amigo, Phelipe Oscar Rabello Jacob, “principal intermediador da negociata, que atuou com promessa de tráfico de influência junto ao seu pai, o juiz-membro do TRE, Eduardo Jacob”.
A partir dos primeiros contatos, a polícia descreve uma série de outros encontros que serviriam para Phelipe repassar as diretrizes processuais “provavelmente indicadas pelo seu pai”. Após buscar ajuda de parlamentares e outros membros do Judiciário, Alcenor recebe ligação de Luiz Carlos Dorileo de Carvalho, também identificado como “Zizo”. Ele teria feito a ponte para os encontros entre a prefeita de Alto Paraguai e Evandro Stábile para suposta negociação, segundo consta no processo. O encontro foi realizado na casa de Luzia Antônia Oliveira Andrade de Carvalho e a PF registrou a presença de Stábile, Diane Vieira Vasconcellos e Zizo (veja foto). Um dos diálogos interceptados revela que Zizo e Diane haviam combinado o encontro. “É o seguinte, dez e meia, mas aí é o seguinte: ele vai, ele vai fazer um, uma proposta lá, entendeu?”, disse Zizo a Diane por telefone. “Tal encontro foi realizado na casa de Luzia Oliveira Andrade de Carvalho, sendo acompanhado por equipe de vigilância, que possibilitou a identificação da pessoa citada como ‘ele’ (…) como sendo o desembargador Evandro Stábile”.
O processo foi remetido ao STJ a partir do momento em que o resultado pretendido por Alcenor somente não se concretizou porque ele não chegou a pagar a quantia contratada pelo “serviço”.
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