O carnaval que afanou histórias alheias

É, parece que homenagear Lula não foi uma boa idéia. Dias atrás, não fosse a falta de tempo, teria comentado aqui com vocês sobre o comentário de um blogueiro progressista, Eduardo Guimarães, que assistiu ao desfile da Gaviões e se revoltou com a … Globo. Segundo ele, a rede Globo manipulou o resultado da pesquisa com os foliões que deram nota 8.6 pro desfile da escola. Disse que o carnaval estava sofrendo interferência “política” (leia aqui). Para o ‘magnífico e lúcido pra cacete’ pensador dos progressistas, Altamiro Borges, a Globo não gosta de Lula por ser um “retirante nordestino, operário e líder grevista que virou presidente” (aqui).

Vocês leram o samba-enredo da Gaviões? Vá lá que eles quisessem assim por licença poética, omitir o lado negro da vida de Lula chafurdando nos cofres públicos, romantizar a trajetória do espertalhão carismático que serviu aos interesses do esquerdismo e depois se serviu tanto dele que o desmoralizou, dando lugar ao lulismo. Vá lá.

Mas afanar a história alheia e atribuí-la a Lula. É falcatrua. “Diretas já” um mérito de Lula? E Dante de Oliveira e Ulisses Guimarães? Até a estabilidade da moeda o enredo afanou da história de FHC para a história de Lula. Vigarice!!!

A Gaviões da Fiel forjou uma trajetória para Lula, assim como a esquerda forjou seu perfil.

Bem, mas isso já passou e chegou o dia da apuração. Mais emocionante que o próprio desfile. Quando chegava ao fim, começou um quebra-quebra generalizado. Um adolescente de 29 anos, segundo o novo estatuto do jovem, quebrou o alambrado, invadiu a área onde estavam os fiscais apurando os votos, roubou e rasgou os papeis, o que não foi rasgado, foi enfiado na cueca dele e de outro da torcida da Gaviões.

Os “fiéis” da gaviões aproveitaram a bagunça e foram pra Marginal Tietê quebrando e destruindo tudo. Um deles jogou um coquetel molotov na área onde os carros alegóricos ficam guardados. Um ou dois foram queimados e os bombeiros evitaram um grande desastre. O diretor da Vai Vai disse que já esperava algum incidente. Ele sentiu “cheiro de ‘crorofila’ no ar”. Ele está certo. Ninguém sai de casa com um coquetel molotov no bolso se a intenção não for a de jogar em algum lugar.

Lindo! Emocionante! Civilizado! Em homenagem ao ocorrido, a Marginal Tietê, quebrada pela Gaviões, podia passar a se chamar Marginal Luiz Inácio Lula da Silva.