Convidado a assinar CPI no Senado, PR hesita

O pendor oposicionista da bancada do PR do Senado não resistiu a um primeiro e singelo teste. Convidada a endossar um pedido de CPI da Saúde, a bancada de senadores da legenda hesita.

Líder do PR, o senador Blairo Maggi foi abordado pelo colega Álvaro Dias, que lidera o PSDB. Apresentado ao requerimento de CPI, considerou-o demasiado abrangente. Impôs condições.

Para assinar e atrair as rubricas dos outros seis senadores do PR, Blairo deseja que a CPI se restrinja aos episódios narrados em reportagem levada ao ar pelo programa Fantástico, no domingo (18).

Quer dizer: o PR topa subscrever a CPI desde que a apuração fique restrita a quatro empresas pilhadas oferecendo suborno num hospital público do Rio de Janeiro. Embora inclua esse fato, o requerimento da oposição é muito mais amplo.

Partindo de indícios colecionados pelo TCU e pela CGU, engloba todo o bolo de repasses de verbas do Ministério da Saúde para Estados e municípios. Algo que, na opinião do neo-oposicionista Blairo incendiaria o Senado.

Para não dizer um “não” instantâneo, o líder do PR recolheu uma cópia do documento, disse que leria a peça e daria uma resposta definitive nesta quarta (21). Não ateou na oposição grandes expectativas.

Com o perdão do poeta Manuel Bandeira, pode-se dizer que o PR não deseja senão retornar para Pasárgada. Não vê a hora de voltar a usufruir da amizade do rei. Ou, no caso específico, amizade da rainha.

O PR até dispensaria os outros atrativos da terra idealizada por Bandeira –a ginástica, a bicicleta, o burro brabo, o pau-de-sebo, o banho de mar, a beira de rio e até a mulher desejada na cama escolhida.

Para suspender o “rompimento” que não houve, nada disso importaria. Se tivesse da rainha a consideração de restituir-lhe o Ministério dos Transportes e os negócios que vêem junto, o PR deixaria de bobagem imediatamente.