Prefeitura de João Pessoa promove Corrida dos Parques e incentiva prática esportiva em áreas verdes

Uma prova que une esporte, qualidade de vida e valorização dos espaços verdes da capital paraibana. Essa é a proposta da Corrida dos Parques – Etapa Parques do Bessa, promovida pela Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), com execução técnica da Secretaria de Juventude, Esporte e Recreação (Sejer). O evento acontece no próximo dia 28 de junho, a partir das 6h, mas as inscrições já estão abertas e podem ser feitas de forma online.

O secretário de Juventude, Esporte e Recreação da Capital, Joãozinho Neto, destacou que o objetivo da prova é incentivar hábitos saudáveis e estimular a prática esportiva. “A Corrida dos Parques incentiva a população a ocupar os espaços públicos de forma saudável, praticando atividade física e fortalecendo a relação com as áreas verdes da nossa cidade. É uma iniciativa que traduz bem o compromisso da gestão municipal com a qualidade de vida dos pessoenses”, ressaltou.

Com largada e chegada no Parque Parahyba III, no Bessa, a programação vai contar com diversas modalidades, atendendo públicos de diferentes faixas etárias e perfis esportivos. Os participantes poderão escolher entre as provas de 5 km e 10 km, além da caminhada de 3 km, da Family Run (corrida infantil) e do Canicross 3 km, modalidade em que os atletas competem acompanhados de seus cães.

Além do incentivo à prática esportiva, a Corrida dos Parques reforça o compromisso da gestão municipal com ações voltadas ao bem-estar, à sustentabilidade e à utilização dos parques como espaços de lazer, integração social e qualidade de vida.

Para o secretário executivo de Parques e Áreas Verdes da Capital, Dema Macedo, a Corrida dos Parques vai além da atividade física. “Esta é a corrida mais verde do Brasil. Cada atleta inscrito garante o plantio de uma árvore em João Pessoa, unindo saúde, esporte e preservação ambiental em uma única iniciativa”, pontuou.

Como fazer a inscrição – As inscrições para a Corrida dos Parques seguem abertas de forma online por meio da plataforma oficial do evento, no site Race83, com valor promocional de R$ 89,90 no lote inicial. A expectativa é reunir corredores, famílias, praticantes de caminhada e amantes do esporte em uma manhã de atividade física, lazer e contato direto com a natureza.

Os atletas inscritos receberão kit com camisa personalizada, número de peito com chip de cronometragem, medalha finisher, hidratação, seguro atleta e brindes de parceiros do evento. Mais informações sobre inscrições, regulamento e programação podem ser consultadas na página oficial da prova.

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Lula pede para seleção do Brasil “jogar com a alma” na Copa do Mundo

Por MRNews

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste sábado (13) uma mensagem de apoio à seleção brasileira de futebol antes da estreia na Copa do Mundo contra o Marrocos. Em um vídeo bem-humorado em uma rede social, Lula manda um recado para o técnico do elenco, o italiano Carlo Ancelotti. 

“Dê um conselho para esses meninos: além de jogar a bola que vocês sabem, joguem com um pouco de alma. Quando cair, levante. Quando cair, não fique reclamando, levante e vá tirar a bola do adversário”, disse o presidente. 

Lula disse que, nesta Copa, o que vale é essa “meninada” compreender que jogar bola eles sabem, mas para ganhar o torneio mundial é necessário mais do que jogar o que eles sabem. Segundo o presidente, o time está jogando para o povo brasileiro.

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“Cada jogador desses nasceu em uma periferia, cada jogador desse tem amigos pobres e eles sabem como esses amigos torciam quando eram meninos. Então, diga para eles, Ancelotti, que eles precisam jogar para o povo brasileiro, para os adolescentes, para os meninos e meninas que estão com expectativa muito grande da nossa seleção conquistar o hexacampeonato”, afirmou.

Lula mencionou que o país não tem a melhor seleção do mundo, mas é a seleção escolhida por Ancelotti, que sabe que eles podem fazer o que o técnico espera deles. Ele pediu que os jogadores entrem em campo com alma, que levantem quando caírem e chutem a bola no gol do adversário.

“Ancelotti, você que foi um grande jogador, diga a eles que o que vale é a garra, é a coesão, a unidade, a harmonia do time. Ele (o time) tem que estar bem, motivado e tem que jogar pensando no povo brasileiro que está precisando de uma vitória. Se você conseguir isso, Ancelotti, você vai ser o nosso herói. Copa do Mundo, a gente não disputa, a gente ganha”, finalizou Lula desejando boa sorte e dizendo que estará torcendo.

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São Lourenço elimina Corinthians e avança às quartas da Copa LNF Cresol – LNF

Churrasco marcou o 4º gol e decretou a vitória para os lourencianos. | Foto: Rosa Creative

O São Lourenço está nas quartas de final da Copa LNF Cresol. Jogando em casa, a equipe catarinense venceu o Corinthians de virada por 4 a 1, em confronto único válido pelas oitavas de final, e garantiu a primeira vaga na próxima fase da competição. Vico, Pedro Henrique, Serjão e Churrasco marcaram os gols da classificação, enquanto Rick anotou o único gol do time paulista.

Com o resultado, o São Lourenço elimina o Corinthians, que havia chegado às oitavas após superar o Vasco da Gama na primeira fase. Por ser disputada em jogo único, a Copa LNF Cresol não tem partida de volta nesta etapa. Agora, o clube catarinense aguarda o sorteio que definirá os confrontos das quartas de final.

As oitavas seguem nos próximos dias com mais sete duelos decisivos. Neste domingo (14), Chopinzinho x Joinville, Apodi x Jaraguá, Joaçaba x ACBF, São Caetano x Umuarama e Lages x Vélez Camaquã disputam vagas nas quartas. Na segunda-feira (15), Juventude recebe o América-RN, enquanto Dracena e Concórdia fecham a fase na terça-feira (16), definindo os últimos classificados da Copa LNF Cresol.

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Barco da Copa com acesso gratuito ao público é local para troca de figurinhas em frente ao Paço Municipal – Agência de Notícias



13 de junho de 2026

16:04

Por: Rose Campos

 

Teve início, neste sábado (13), o acesso ao Barco da Copa, atração gratuita no lago do Parque do Paço Municipal de Sorocaba, localizado no Alto da Boa Vista. Várias famílias passaram pelo local logo de manhã, e conseguiram trocar figurinhas entre os colecionadores interessados. O barco, na verdade, um catamarã, é equipado com mesas e cadeiras, proporcionando conforto a todos que desejam visitar o local, seja para trocar as figurinhas repetidas ou para disputar na tradicional brincadeira do bafão. Importante ressaltar que as crianças e adolescentes deverão estar acompanhadas dos pais ou um responsável legal.

Iniciativa da Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria do Turismo (Setur), realizada em parceria com a iniciativa privada, sem custos ao Município, o Barco da Copa funcionará aos sábados e domingos, das 10h às 12h, durante a primeira fase da competição.
Muitos vieram inspirados diretamente pelo convite do prefeito: “Tragam seus filhos e venham conferir e se divertir no Barco da Copa”, disse o prefeito Rodrigo Manga, em suas redes sociais.

João Tarcísio veio da Zona Norte e conseguiu avançar na troca de figurinhas e, ainda, conhecer o ambiente especial do catamarã. “Foi muito bom poder trocar as figurinhas aqui. Agora estão somente umas 60, mais ou menos. Então, antes de terminar a primeira fase da Copa, já devo ter completado o álbum”, ele avalia.
Victor de Paula veio de São Paulo, com a mulher e o filho pequeno para visitar familiares. Chegando aqui, ficou sabendo dessa ação de troca das figurinhas e não perdeu tempo. “Aqui está bem tranquilo. Com pessoas educadas é muito tranquilo. E, além de levar as figurinhas que faltam, ainda tem esse passeio. Dá para fazer fotos, a família inteira se diverte”, afirmou.

Lucas Domínguez, ao contrário, não precisou andar muito para conferir a nova atração. Ele mora no mesmo bairro do Paço e bastou andar um pouquinho. “Aqui já é um lugar de lazer, principalmente aos fins de semana. Acho que foi uma excelente ideia fazer a troca de figurinhas aqui. Para mim estão faltando somente 93. Então, agora acho que vou completar bem rápido”, revelou.

O catamarã tem espaço para acomodar 24 pessoas por vez. A participação será aberta ao público, por ordem de chegada, de forma rotativa. O Paço Municipal está localizado na Avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, 3.041, no Alto da Boa Vista.

 

 

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Investimento do Governo de MS ‘abre as portas’ para a Rota Bioceânica e ao desenvolvimento de Porto Murtinho

Com entrega de obras de infraestrutura e anúncio de investimentos de mais de R$ 72,9 milhões do Governo de Mato Grosso do Sul, o município de Porto Murtinho comemora 114 anos. A cidade integra a Rota Bioceânica e as obras são resultado das ações de infraestrutura e desenvolvimento regional com foco no corredor logístico que vai reduzir o tempo de deslocamento para o mercado asiático.

O governador Eduardo Riedel participou, ontem (12) e hoje (13), das comemorações alusivas ao aniversário do município, que incluiu a abertura oficial do Rodeio na Rota, atos cívicos e a entrega de importantes obras de infraestrutura urbana e logística. A programação teve ainda a assinatura de autorizações para os novos investimentos nas áreas de mobilidade, aviação regional e habitação.

“Nós vamos dar sequência na pavimentação dos bairros de Porto Murtinho. É uma transformação muito grande, fruto da Rota Bioceânica. A gente está comercializando com o mundo inteiro, principalmente com a Ásia, e aqui vai ficar todo o desenvolvimento que a gente quer ver para o município”, disse Riedel.

As ações ampliam a segurança viária, fortalecem a capacidade de atendimento à população, melhoram as condições de transporte e acesso às áreas rurais e impulsionam a qualidade de vida dos moradores. Além dos benefícios diretos para o município, os investimentos contribuem para a valorização urbana de Porto Murtinho e reforçam sua posição estratégica como porta de entrada da Rota Bioceânica e um dos principais corredores de integração entre o Brasil e os países da América do Sul.

Com investimento de R$ 8,4 milhões, a obra de pavimentação, drenagem de águas pluviais e duplicação do trecho urbano da BR-267, principal acesso a Porto Murtinho, incluiu a execução de mais de 17 mil metros quadrados de pavimentação e aproximadamente 1,2 quilômetro de drenagem, contribuindo para a melhoria da mobilidade e da segurança viária no município.

“Tudo que estamos fazendo para melhorar a vida da população que vive em Porto Murtinho e para receber a Rota tem o apoio do Governo do Estado. Por isso, agradeço, só com essa união o trabalho é possível”, afirmou o prefeito Nelson Cintra.

Também foi construída a ponte sobre o rio Amonguijá, que garante melhores condições de tráfego para os usuários da via. A obra recebeu investimento de R$ 3,3 milhões e substituiu a travessia precária por uma ponte definitiva, mais segura e adequada às condições da região. A nova ponte beneficia diretamente produtores rurais, moradores e transportadores que utilizam a estrada para deslocamento e escoamento da produção, com maior confiabilidade ao tráfego.

Além de ampliar a conectividade entre as áreas rurais e a área urbana do município, a obra fortalece a infraestrutura logística de Porto Murtinho, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional e para a melhoria da qualidade de vida da população.

Com investimento de R$ 44,5 milhões, a obra da rodovia Estrada do Firme contemplou a implantação de revestimento primário no trecho entre Porto Murtinho e o entroncamento da MS-458, em uma extensão de 83,5 quilômetros. A intervenção melhora as condições de trafegabilidade e segurança da via, garantindo maior regularidade no deslocamento e fortalecendo o escoamento da produção agropecuária.

Com investimento de R$ 290 mil, a obra de iluminação pública do perímetro urbano da BR-267 contemplou a implantação do sistema com instalação de 41 postes metálicos equipados com luminárias de LED. A intervenção reforça a segurança viária, melhora a visibilidade noturna e qualifica a infraestrutura de um dos principais acessos a Porto Murtinho.

Já com investimento de R$ 3,94 milhões – R$ 3,3 milhões em recursos estaduais – o Hospital Municipal Oscar Ramires Pereira foi reformado e ampliado. A nova estrutura inclui duas salas cirúrgicas, enfermaria com 18 leitos e laboratório.

A ponte sobre o Rio Tereré recebeu R$ 2,2 milhões de investimentos, melhorando as condições de tráfego e segurança.

Entre as obras anunciadas está a autorização para licitação da implantação de balizamento noturno no aeródromo com mais de R$ 4,1 milhões de investimentos. O trabalho é parte do plano aeroviário do Estado.

Também foi autorizada a execução da sinalização viária do município, com recursos de R$ 868 mil. As ações contemplam sinalização horizontal e vertical, além da instalação de semáforo e construção de travessias elevadas em frente a unidades escolares.

Ainda foi autorizado convênio para construção de 50 unidades habitacionais no loteamento Vila Piloto com investimentos de mais de R$ 5,2 milhões – R$ 3,1 milhões do Governo do Estado.

Ponte Bioceânica

A ponte binacional da Rota Bioceânica e aos acessos nos dois lados da fronteira, entre a cidade brasileira de Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, está com obras em execução. O empreendimento é considerado estratégico para a integração sul-americana aos mercados asiáticos, por meio dos portos do Chile, no Oceano Pacífico.

No lado brasileiro, avança também a construção do acesso que ligará a BR-267 à ponte. Essa obra federal está orçada em R$ 472 milhões. Além da alça de 13,1 km, que ligará a rodovia à ponte, também é construído o contorno rodoviário em Porto Murtinho e o Centro Aduaneiro, que fará o controle do acesso entre o Brasil e o Paraguai.

Construída entre Porto Murtinho e a paraguaia Carmelo Peralta, a ponte é executada por consórcio binacional, com investimento de R$ 575,5 milhões (US$ 93 milhões), financiado pela administração paraguaia da Itaipu.

Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS
Fotos: Saul Schramm/Secom-MS

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Representantes da Emlur participam de Trilha de Catação e recolhem resíduos do Santuário do Cuiá

A Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) participou, neste sábado (13), de mais uma ação voltada ao incentivo de práticas sustentáveis e à preservação do meio ambiente. A atividade, denominada Trilha de Catação, foi realizada no Santuário do Cuiá, em parceria com o Movimento Corridinha Mixuruca e o Centro Universitário Unipê, contando ainda com participação de crianças e adolescentes do Quilombo Palmares.

Durante a ação, a Emlur disponibilizou sacolas para coleta de resíduos e os participantes percorreram o trajeto realizando o recolhimento de materiais descartados irregularmente em áreas públicas. A iniciativa teve como objetivo sensibilizar a população sobre a importância do descarte correto dos resíduos e da conservação dos espaços urbanos.

A Trilha de Catação integra uma programação relacionada a Semana do Meio Ambiente com diversas atividades que recebem apoio da Autarquia Municipal ao longo do mês de junho, período dedicado ao fortalecimento das ações de educação ambiental e conscientização sobre a preservação dos recursos naturais.

Por meio da Divisão de Educação Ambiental, a Autarquia também participou, ao longo desta semana, de atividades semelhantes realizadas no Parque das Águas, em Mangabeira, e na praia do Seixas, ampliando o alcance das ações de conscientização junto à população.

De acordo com a coordenadora da Divisão de Educação Ambiental da Emlur, Kenia Chaves, iniciativas como a Trilha de Catação são fundamentais para despertar a responsabilidade individual em relação ao meio ambiente. “Essas ações orientam e alertam para o cuidado que cada pessoa deve ter com os espaços públicos e com o descarte correto dos resíduos. Além disso, os participantes acabam se transformando em multiplicadores dessas boas práticas, levando essa conscientização para familiares, amigos e outras pessoas do seu convívio, ressaltou a coordenadora.

A programação deste sábado (13) contou ainda com a apresentação do grupo Baticumlata, que transforma materiais reutilizáveis em instrumentos musicais, demonstrando de forma criativa e educativa a importância da reciclagem e do reaproveitamento de resíduos.

Urbanismo deve incorporar florestas às cidades, defendem pesquisadores

Por MRNews

As grandes cidades não podem mais dar as costas para as florestas e devem incorporá-las ao urbanismo atual. Presente em civilizações antigas que habitaram a Amazônia, por exemplo, essa é uma ideia resgatada e defendida por pesquisadores e ativistas, como o escritor italiano Stefano Mancuso, referência internacional nos estudos sobre a inteligência das plantas.

Mancuso foi um dos participantes da 3ª edição do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), no último final de semana.

O escritor e pesquisador apresentou o conceito das fitópolis, que se inspira na organização das plantas para propor uma transformação radical na forma como são concebidas as cidades.

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A proposta é pensar as cidades como organismos urbanos dotados de inteligência, resiliência e capacidade de adaptação ─ uma estratégia concreta para combater a crise climática e reduzir o abismo que se criou entre humanos e plantas nos últimos séculos.⁠

Mancuso sugere que a verdadeira evolução urbana não vem de soluções arquitetônicas voltadas para o bem-estar humano, mas de uma interação mais fluida e orgânica com a natureza, que reconheça o ser humano como parte de ecossistema mais amplo.⁠

“As plantas são sistemas altamente complexos, sofisticados, mas não são seres superiores a outros seres viventes. Hoje, a gente considera um pouco mais as plantas”, disse o neurobiólogo italiano.

Considerando as mudanças climáticas e o aquecimento global, as fitópolis podem ser parte da solução, já que 70% da população mundial vive em cidades. A redução de 20% do asfalto e sua substituição por áreas arborizadas já ajudaria muito na qualidade de vida, defendeu o pesquisador. Mancuso acrescenta que as plantas também devem estar dentro dos edifícios.

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Fundador do Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal da Universidade de Florença, ele avalia que uma fitópolis ideal teria uma cobertura vegetal de pelo menos 60%. Essa cidade também deveria ter uma rede de transporte público muito eficiente, além de nenhum veículo movido à combustão.

 

O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Seminário Internacional Transmutar,  realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O ecólogo e curador do Museu do Amanhã, Fabio Scarano, destacou que tudo que é vivo é inteligente, não apenas o ser humano. Para ele, o trabalho do professor Mancuso tem um efeito político, porque, ao se reconhecer a inteligência dos seres não humanos, talvez seja possível mudar de atitude e vê-los como irmãos, como defendia São Francisco.

“Eles não são só paisagem, não são só recursos para a gente consumir, 90% do planeta é composto por cobertura vegetal. Ela colabora com oxigênio e alimentos. A obra do professor [Mancuso] populariza um conhecimento que é científico e pouco discutido nas escolas”, disse Scarano.

Cidades amazônicas

O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes Neves apresentou manifestações de urbanismo indígena de 2,5 mil anos atrás no Acre. Depois, entre 1,5 mil anos e 1 mil anos atrás, a urbanização indígena se espalhou em diversas áreas da Amazônia.

“A principal lição desse urbanismo antigo é que ele não coloca a natureza para fora. Em São Paulo, matamos os rios, se tornaram depósitos de lixo. A gente excluiu muito a natureza”, critica ele.

O professor titular da Universidade de São Paulo (USP) ainda apontou que os bairros mais arborizados são mais ricos, enquanto o urbanismo atual dá as costas para as populações mais desassistidas. 

“A gente tem que pensar o futuro com a ideia de cidades jardins. Essas cidades antigas da Amazônia eram cidades jardins. Elas estavam entremeadas com as áreas de bosque. A gente tem que trazer a floresta de volta”, disse o professor titular .

 

O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes participa do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Nêgo Bispo

O tema deste ano do seminário foi Transfluências, inspirado na obra do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, que morreu em 2023 aos 63 anos.

A programação celebrou a 22ª Semana do Meio Ambiente no Inhotim, maior museu a céu aberto de arte contemporânea da América Latina.

A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do museu, Alitah Mariah, explica que Nêgo Bispo tem dois conceitos, a confluência e a transfluência. Segundo ela, a transfluência tem tudo a ver com o que o instituto pensou para o seminário, porque diz que todo pensamento e ação humana é circular ─ não só humano mas também dos não humanos.

“Para tudo que vai, alguma coisa fica, que é um pouco isso que a gente está tentando descobrir com esses pensadores. O que a gente pode se alimentar, trocar e transformar, e o que fica disso”, disse a diretora.

 

A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Instituto Inhotim, Alita Mariah, participa do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A líder quilombola Joana Maria, filha de Nêgo Bispo e moradora do quilombo Saco Cortume, no interior do Piauí, explica que o conceito de confluência vem do encontro dos rios. Já a transfluência é o movimento e o encontro, mas ultrapassando barreiras.

“Achei muito interessante o tema do evento ser a transfluência, porque a gente vive numa situação hoje em que há muitas barreiras no cuidar do meio ambiente, no se relacionar com a natureza. A transfluência tem o propósito de que é possível, sim, pensar os nossos modos de vida, a forma como a gente cuida da natureza”. 

 

A pesquisadora Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

“A gente tem que pensar a natureza como o lugar do afeto, do lugar do cuidado, do se relacionar. O rio tem que estar limpo para que eu possa tomar banho nele, comer o peixe”, disse Joana.

Tecnologia e natureza

Para a gestora cultural colombiana Ana Ochoa Acosta, fundadora do departamento de cultura e comunicação do Parque Explora, em Medellín, na Colômbia, a natureza também inclui o que produzimos com a tecnologia.

“Regressar ao paraíso arcaico é impossível atualmente. Somos uma combinação de mundos orgânicos com inorgânicos, de tecnologias que nos fazem distintos. Isso também é natureza. A sabedoria é aprender a conviver com essa complexidade da qual não podemos escapar”, disse Ana.

A bióloga do Museu Emílio Goeldi, no Pará, Sue Anne Costa, contribuiu com o conceito de re-encantamento, para ajudar a ganhar outra perspectiva no processo decisório.

“O que os povos ancestrais tinham era esse encantamento com o território e o sagrado. Boa parte das decisões atuais têm lógicas produtivas, financeiras, de um suposto desenvolvimento. Essa lógica precisa mudar”, disse a pesquisadora.

 

A coordenadora de comunicação do Museu Emílio Goeldi e professora da Universidade Federal do Pará, Sue Anne Costa Rovena Rosa/Agência Brasil

Jardim Botânico

Reconhecido por seu acervo de arte contemporânea, Inhotim também é um jardim botânico que conserva mais de 1 mil espécies de plantas, regenera florestas nativas, protege a fauna silvestre e mantém pesquisa científica voltada à conservação da biodiversidade brasileira.

Com 140 hectares de visitação, está localizado em uma área de transição entre Mata Atlântica e Cerrado, dois dos biomas mais diversos e ameaçados do país. A instituição já regenerou 75 hectares de floresta nativa e mantém um estoque de 34.215,13 toneladas de carbono, quantidade que exigiria cerca de 1,26 milhão de árvores urbanas para ser armazenada.

 

Jardins do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

*A reportagem viajou a convite do Instituto Inhotim.

Agência Minas Gerais | Governo de Minas transfere capital para Divinópolis, primeira cidade a alcançar nível máximo em Liberdade Econômica

O município de Divinópolis alcançou o mais alto nível de maturidade do programa Minas Livre para Crescer (MLPC) e recebeu a certificação de grau Pleno de Liberdade Econômica do governador Mateus Simões, neste sábado (13/6), durante a cerimônia de transferência provisória da capital para a cidade do Centro-Oeste de Minas Gerais, dentro da iniciativa Governo Presente.

Na ocasião, o Governo de Minas também formalizou Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) regularização fundiária urbana com dez municípios da região, em uma parceria com foco no fortalecimento das políticas de habitação de interesse social.

Ele também anunciou a implementação de duas novas unidades da rede do Colégio Tiradentes da Polícia Militar, nas cidades de Nova Serrana e Formiga, e reforçou os investimentos do Estado para o desenvolvimento da região, como os R$ 43,6 milhões aplicados na implementação da Subestação Divinópolis 3 da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que entrou em operação em fevereiro.

“Divinópolis hoje se transforma na nossa 17ª capital do programa Governo Presente. A ideia de rodar o Estado passando por cada uma das regiões e fazendo com que a capital fosse simbolicamente transferida para a cidade que já desempenha o papel de capital regional é uma forma de lembrar os mineiros a cada um deles, os da capital Belo Horizonte, mas os de cada uma das regiões escolhidas, que Minas Gerais, diferente de todos os outros Estados do seu entorno, tem a maior parte da sua população no interior” destacou o governador Mateus Simões, durante a cerimônia de transferência da capital para a cidade do centro-oeste  do Estado. 

 

Liberdade Econômica

O reconhecimento de grau Pleno de Liberdade Econômica, concedido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), é resultado de uma série de ações voltadas à modernização da gestão pública e à melhoria do ambiente de negócios.

Entre as iniciativas implementadas estão a modernização do Código de Obras municipal e a implantação da Análise de Impacto Regulatório (AIR), instrumento que permite avaliar previamente os efeitos de novas normas trazendo mais eficiência e segurança para o setor produtivo.

Por meio do programa, os municípios adotam medidas para reduzir entraves burocráticos e simplificar os processos de abertura e funcionamento de empresas, criando assim um ambiente juridicamente seguro e atrativo para o empreendedorismo.

A conquista inédita reforça a importância da atuação integrada entre Estado e municípios para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, à geração de empregos e ao crescimento econômico.

“Fiquei também satisfeito de poder entregar para a prefeita Janete o certificado que prova que Divinópolis atingiu todas as metas necessárias para ser reconhecida como município que implantou a política de liberdade econômica do Minas Livre para Crescer, isso é sinal de responsabilidade da prefeitura com o desenvolvimento da região” reconheceu o chefe do executivo estadual.

 

Minas Livre para Crescer

Criado em 2019, pela Sede-MG, o programa Minas Livre para Crescer já conta com 605 municípios que aderiram às diretrizes de liberdade econômica e implementaram normativos próprios. Desse total, 399 municípios encontram-se no nível iniciante, 200 no nível intermediário, cinco no nível avançado e agora Divinópolis no nível pleno.

Em abril de 2025, o Governo de Minas publicou o Novo Decreto Estadual de Liberdade Econômica, regulamentando importantes instrumentos para a melhoria do ambiente de negócios. Entre eles está a aprovação tácita, mecanismo que garante a liberação automática de licenças, alvarás ou autorizações quando o poder público não se manifesta dentro do prazo legal estabelecido.

Além disso, Minas Gerais já dispensou 945 atividades econômicas da necessidade de alvará, reduzindo custos e facilitando a abertura de novos negócios.

“Neste momento Divinópolis atinge o nível pleno, que é o nível mais alto que nós temos na escala do Minas Livre para Crescer, que é um programa do governo do estado muito relevante, que veio com o objetivo de desburocratizar o ambiente de negócios para aprimorar o ambiente regulatório, e Divinópolis se destaca hoje como o primeiro município entre 853 de Minas Gerais a alcançar esse patamar” explicou a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Côrrea da Costa.

 

Matriz de maturidade de liberdade econômica

O programa conta com uma Matriz de Maturidade de Liberdade Econômica, ferramenta desenvolvida para orientar e avaliar a implementação de medidas voltadas à simplificação administrativa, à modernização regulatória e à melhoria do ambiente de negócios nos municípios mineiros. A matriz estabelece critérios objetivos para a evolução dos municípios em quatro níveis de maturidade: iniciante, intermediário, avançado e pleno. 

 

Títulos de propriedade urbana

O governador Mateus Simões também formalizou os ACTs, entre a Sede-MG, a Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab Minas) e os municípios de Aguanil, Candeias, Carmo da Mata, Conceição do Pará, Estrela do Indaiá, Igaratinga, Itapecerica, Lagoa da Prata, Onça de Pitangui e São Sebastião do Oeste, com a expectativa de regularizar aproximadamente 3 mil imóveis, contemplando cerca de 9 mil pessoas.

Para viabilizar os trabalhos, o Estado destinará mais de R$ 7,7 milhões. Os recursos não serão transferidos diretamente às prefeituras, uma vez que serão aplicados na contratação, pela Sede-MG, de serviços técnicos especializados executados pela Cohab Minas para condução dos processos de Reurb.

“Os municípios passam a receber imediatamente recursos para a realização de regularização fundiária de 300 famílias em cada uma delas. O Reurb é um projeto que traz título para quem não tem título e com isso a gente garante que esses imóveis entram novamente no setor produtivo porque eles valem mais e as pessoas têm certeza que não vão ter só acesso ao crédito, mas se faltarem a família vai ter garantia da propriedade” destacou Simões.

A ação é realizada com recursos do Acordo de Reparação do Rio Doce, assinado em outubro de 2024 pelos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo com a União, Defensorias Públicas e Ministérios Públicos dos dois estados, Defensoria Pública e Ministério Público da União, e as empresas Samarco Mineração S.A., Vale S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda. O rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, deixou 19 mortos e causou graves impactos sociais, ambientais e econômicos em Minas e no Espírito Santo.

 

Segurança jurídica e desenvolvimento local

A regularização fundiária garante segurança jurídica aos moradores e amplia as oportunidades de desenvolvimento das cidades. Entre os principais resultados estão a valorização dos imóveis, o acesso ao crédito, a facilitação da sucessão patrimonial, a inclusão em políticas públicas e o fortalecimento da organização urbana municipal.

Desde a criação do Minas Reurb, em 2019, já foram emitidos 22.596 títulos de propriedade. Somados aos cerca de 68 mil títulos viabilizados pelo programa, o total supera 91 mil regularizações em 301 municípios de Minas Gerais. Até 2027, a previsão é emitir cerca de 24 mil títulos de propriedade em 80 municípios mineiros, beneficiando aproximadamente 72 mil pessoas.

 

Governo Presente

A certificação de Divinópolis como primeiro município a alcançar o nível máximo em Liberdade Econômica e formalização dos Acordos de Cooperação Técnica com os dez municípios da região integram a programação do projeto Governo Presente, iniciativa que busca reforçar a presença institucional e aproximar a administração do Estado das diferentes regiões mineiras.

A ação será realizada em 19 cidades até junho e busca fortalecer o diálogo federativo, ampliar a articulação institucional e valorizar as demandas regionais na construção de políticas públicas alinhadas às necessidades de cada território mineiro.

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Jovem morre após queda de mais de 40 metros durante salto de rope jump no interior de São Paulo

Por MRNews

Jovem morre após queda de mais de 40 metros durante salto de rope jump no interior de São Paulo

Uma tragédia marcou uma atividade de aventura realizada na manhã deste sábado (13) em Limeira, no interior de São Paulo. Uma jovem de 21 anos morreu após sofrer uma queda de aproximadamente 40 metros durante a prática de rope jump em uma área conhecida como Ponte do Esqueleto.

De acordo com informações preliminares divulgadas pelas autoridades, a vítima participava da atividade acompanhada por instrutores quando ocorreu uma falha no procedimento de segurança. Segundo a Polícia Militar, os equipamentos de proteção não teriam sido corretamente fixados antes do salto, o que resultou na queda de grande altura.

Testemunhas que estavam no local tentaram prestar os primeiros socorros logo após o acidente. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foram acionadas rapidamente, mas a morte da jovem foi constatada ainda no local devido à gravidade dos ferimentos.

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Vídeos registrados por pessoas presentes mostram momentos de tensão logo após o salto. Nas imagens, é possível ouvir gritos alertando sobre a ausência da corda de segurança. As gravações também mostram o equipamento próximo ao local da plataforma, levantando questionamentos sobre os procedimentos adotados antes da atividade.

O caso mobilizou uma ampla operação policial. Segundo informações divulgadas por veículos locais, seis pessoas foram detidas para prestar esclarecimentos. Dois suspeitos teriam tentado deixar a área após o acidente, mas foram localizados por equipes policiais durante buscas realizadas com apoio de helicóptero.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que a ocorrência está sendo investigada pela Polícia Civil. Os responsáveis pela atividade deverão ser ouvidos para esclarecer as circunstâncias que levaram ao acidente e verificar se houve negligência ou descumprimento das normas de segurança exigidas para esse tipo de prática esportiva.

O rope jump é uma modalidade de aventura semelhante ao bungee jump, na qual o participante salta de estruturas elevadas preso por sistemas de cordas especialmente preparados para absorver o impacto da queda. Especialistas destacam que a atividade exige rigorosos protocolos de segurança, incluindo inspeção prévia dos equipamentos e conferência múltipla dos pontos de ancoragem antes de cada salto.

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A morte da jovem gerou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a fiscalização de atividades radicais realizadas em áreas abertas. Enquanto familiares e amigos lamentam a perda, as investigações deverão apontar se houve falha humana, responsabilidade dos organizadores ou outros fatores que contribuíram para o acidente.

A identidade da vítima não havia sido oficialmente divulgada pelas autoridades até a última atualização do caso.

Tags: Limeira, rope jump, acidente em Limeira, jovem morre em salto, esporte radical, Ponte do Esqueleto, Polícia Civil, interior de São Paulo, queda de altura, notícias de São Paulo.

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Tarifa zero pode garantir mais acesso a serviços de saúde, diz estudo

Por MRNews

A auxiliar de serviços gerais Núbia Sales Veras, de 52 anos, moradora da Cidade Ocidental, município goiano no Entorno do Distrito Federal, utiliza diariamente o transporte público para cruzar o limite com a capital do país e chegar até a empresa onde trabalha, no Lago Sul, bairro de elite de Brasília, a cerca de 50 quilômetros (km) de casa.

A distância, o custo da tarifa do ônibus e a baixa qualidade do transporte urbano criam limitações para que ela acesse serviços essenciais da sua vida, como o tratamento que faz para fibromialgia, uma síndrome crônica que causa dores musculares e articulares em várias partes do corpo.

“Já perdi compromisso, já perdi consulta do meu tratamento no [hospital] Sarah [instituição de saúde focada em reabilitação motora e neurológica], tudo por causa da demora do ônibus e do valor da passagem”, contou à Agência Brasil.

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A reportagem conversou com Núbia, na tarde da última sexta-feira (12), quando ela passava pela Rodoviária do Plano Piloto, o principal terminal de transporte público urbano do Distrito Federal e região metropolitana, localizada no centro da capital do país.

Outro problema relatado pela trabalhadora é o valor da passagem, que chega a custar R$ 18 por dia, custo que limita sua vida social.

“Muitas vezes não pude utilizar para a cultura, para colocar minhas filhas em uma escola melhor, mas mais distante, por causa desse valor da passagem”, afirmou.

A experiência de Núbia, bem como de milhares de pessoas que usam o transporte público rodoviário para transitar pelas grandes cidades do país, reflete as conclusões de um novo estudo desenvolvido por pesquisadores vinculados ao Instituto de Ciência Polícia da Universidade de Brasília (UnB).

O artigo intitulado Quem pode circular? Tarifa zero, mobilidade e desigualdades raciais no acesso à cidade e aos serviços aponta que o custo tarifário e a precariedade do transporte, incluindo superlotação, insegurança e imprevisibilidade, geram obstáculos concretos à continuidade do cuidado em saúde, resultando no atraso de diagnósticos, faltas a consultas agendadas e prejuízos no acompanhamento preventivo de doenças crônicas.

Racismo estrutural

O texto, publicado no formato policy paper (um tipo de relatório técnico), destaca que os tempos de deslocamento prolongados em regiões metropolitanas “atuam como severos agravantes de sofrimento psíquico, estresse crônico e exaustão, potencializando quadros de ansiedade e depressão”.

Esses efeitos, de acordo com a pesquisa, tendem a ser particularmente significativos quando observados sob a perspectiva das desigualdades raciais. Isso porque a população negra está sobrerrepresentada entre os grupos de menor renda, residentes em territórios periféricos e mais dependentes do transporte público.

“Isso significa que as barreiras econômicas e territoriais à mobilidade incidem de forma desproporcional sobre essa população, limitando seu acesso à cidade e aos seus serviços”, aponta o estudo.

Também na Rodoviária do Plano Piloto, a aposentada Helena Simão, mulher negra de 72 anos, caminhava devagar e com dificuldade quando parou para conversar com a reportagem, pouco antes de embarcar no ônibus para chegar a Samambaia, região administrativa do DF, distante cerca de 30 quilômetros do centro da capital.

Ela contou que convive há anos com osteoporose, uma doença que reduz a densidade e enfraquece os ossos do corpo. Apesar de não pagar mais a tarifa, por ter gratuidade de pessoa idosa, Helena reclama da baixa circulação de ônibus na periferia.

Helena Simão não paga mais passagem, mas lamenta a pouca frequência de ônibus na periferia  Foto: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

“Eu já não pago o transporte, mas demora muito para passar e já perdi consulta médica”, denunciou Helena. 

Dados do DataSUS citados na pesquisa demonstram, por exemplo, que mulheres negras enfrentam o dobro do risco de morte materna em relação a mulheres brancas, “uma disparidade que se conecta diretamente às restrições materiais e espaciais de locomoção impostas pela segregação urbana”.

>>Livro debate tarifa zero e mobilidade urbana como qualidade de vida

Transporte universal

Um dos focos do estudo é demonstrar que a remoção da principal barreira econômica ao transporte público, que é o custo da tarifa, por meio da implantação da tarifa zero universal, tem potencial para atuar como uma política estruturante de redução de desigualdades, indo muito além de uma simples medida de transporte público.

“Tem potencial de transformar a relação da sociedade com uma política pública, tal qual o Sistema Único de Saúde (SUS) propiciou, mas agora do ponto de vista do transporte”, observa Paíque Duques Santarém, pesquisador da UnB (Universidade de Brasília) e um dos autores do artigo.

Essa desoneração integral do custo da tarifa, na análise dos pesquisadores, constituiria uma ferramenta estratégica para garantir o acesso efetivo aos equipamentos públicos, assegurar a continuidade do cuidado terapêutico e “tensionar, de forma definitiva, os padrões históricos de exclusão territorial e racial que fragmentam as cidades brasileiras”.

Em um estudo anterior, o mesmo grupo de pesquisa envolvido no projeto sobre tarifa zero e suas possibilidades de expansão no Brasil aponta que a implementação da gratuidade no transporte público nas 27 capitais brasileiras também representaria uma injeção de R$ 60,3 bilhões anuais na economia do país e poderia ter um efeito semelhante ao do Bolsa Família.