Europa deixa de carimbar passaportes de brasileiros e muda regras de entrada

Por MRNews

Europa deixa de carimbar passaportes de brasileiros e muda regras de entrada

Viajar para a Europa nunca mais será como antes — pelo menos no que diz respeito ao tradicional carimbo no passaporte. Os países do Espaço Schengen passaram a adotar um novo sistema digital que elimina esse processo físico e moderniza o controle de fronteiras.

A mudança já está em vigor e impacta diretamente brasileiros que visitam o continente.

Fim do carimbo: o que mudou na prática?

Desde abril de 2026, os países europeus deixaram de carimbar passaportes na entrada e saída. No lugar do método tradicional, entrou em operação o Sistema de Entrada e Saída, que registra todas as informações de forma eletrônica. (Revista Oeste)

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Agora, ao chegar ao destino, o viajante passa por um processo mais tecnológico, que inclui:

  • Leitura digital do passaporte
  • Captura de imagem facial
  • Coleta de impressões digitais
  • Registro automático da data e local de entrada

Esse sistema substitui completamente o carimbo físico e cria um histórico digital de viagens.

Mais controle e segurança nas fronteiras

O principal objetivo da nova tecnologia é reforçar a segurança e evitar irregularidades, como permanência além do permitido ou uso de documentos falsos.

Com o EES, o controle do tempo de permanência passa a ser automático. Para brasileiros, a regra continua a mesma:

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  • Estadia de até 90 dias
  • Dentro de um período de 180 dias

A diferença é que agora não há margem para erros ou “esquecimentos”, já que tudo fica registrado digitalmente.

Primeira entrada pode ser mais demorada

Quem viajar para a Europa pela primeira vez após a mudança pode enfrentar um processo um pouco mais lento. Isso porque será necessário fazer o cadastro biométrico completo.

Por outro lado, nas viagens seguintes, a tendência é de maior agilidade, já que os dados estarão armazenados no sistema.

ETIAS: próxima etapa da mudança

Além do fim dos carimbos, outra novidade importante está a caminho: o ETIAS.

Esse sistema exigirá uma autorização prévia para entrada na Europa, semelhante ao modelo dos Estados Unidos. A previsão é que ele entre em vigor no final de 2026, embora ainda sem data oficial confirmada.

O que isso significa para quem viaja

Para o público do Viagem Black, acostumado a experiências premium, a mudança traz pontos positivos e de atenção:

Pontos positivos

  • Processo mais moderno e tecnológico
  • Maior controle e segurança
  • Tendência de filas menores no futuro

Pontos de atenção

  • Cadastro inicial pode ser mais demorado
  • Exigência rigorosa de dados biométricos
  • Controle mais rígido do tempo de permanência

Uma nova era para viagens internacionais

O fim dos carimbos marca o início de uma nova fase no turismo global. A Europa aposta em tecnologia para tornar o controle migratório mais eficiente, ao mesmo tempo em que aumenta o nível de exigência para os viajantes.

Para brasileiros, a principal mensagem é clara: viajar continua fácil — mas agora exige ainda mais planejamento e atenção aos detalhes.


Tags: Europa, passaporte, fim do carimbo, EES, ETIAS, viagens internacionais, Espaço Schengen, turismo Europa, regras de entrada, biometria

Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras

Por MRNews

A empresa brasileira Serra Verde, que atua com mineração de terras raras, foi adquirida pela empresa USA Rare Earth (USAR), mineradora norte-americana, em negociação equivalente a cerca de US$ 2,8 bilhões. A compra foi anunciada nesta segunda-feira (20) pelas companhias.

Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, em produção desde 2024. É também a única produtora das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas fora da Ásia: Disprosio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Mais de 90% da extração de terras raras mundiais são realizadas na China. 

Os materiais são usados para fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, como nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

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De acordo com a mineradora brasileira, o negócio possibilitará a criação da maior empresa global do ramo. A produção em Goiás está em fase um e ainda é considerada modesta, mas a expectativa é dobrar em 2030.

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e “downstream” da USAR”, informou o grupo Serra Verde, em declaração ao mercado.

Contrato de 15 anos

O contrato prevê o fornecimento de 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (“SPV”), capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos, bem como por fontes de capital privado, para 100% de sua produção da Fase I com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas.

“O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”, afirma a nota do USAR.

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Segundo o comunicado, o acordo possibilitará a criação de “uma empresa multinacional líder em terras raras de mineração de mina ao ímã, com oito operações, no Brasil, EUA, França e Reino Unido e com capacidades operacionais ativas em toda a cadeia de suprimentos de terras raras leves e pesadas, incluindo mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.” 

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, disse Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde.

O mercado recebeu bem o anúncio. Por volta das 15h30, as ações da USAR na Nasdaq registravam alta de mais de 8%. A aquisição mantém a equipe da empresa brasileira, com dois de seus executivos incorporados na diretoria da USAR, Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente o Presidente do Conselho e o CEO do Grupo Serra Verde.

Em vários discursos, Donald Trump tem abordado a questão das terras raras e criticado a dependência mundial da produção chinesa, o que tem gerado divergências com Pequim. 

* Título atualizado às 18h21

EUA pedem saída de “funcionário brasileiro” por manipular imigração

Por MRNews

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira (20) que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do território dos Estados Unidos. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata de um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

A manifestação foi publicada na rede social X. Na mensagem, o órgão norte-americano afirmou que o servidor teria tentado contornar mecanismos formais de cooperação jurídica.

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, afirmou o escritório na postagem.

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Até o momento, a Polícia Federal e o Itamaraty não divulgaram posicionamento oficial detalhado sobre o pedido feito pelo governo norte-americano.

Ramagem foi solto na última quarta-feira (15) após ficar dois dias preso na Flórida.

Foragido

O ex-deputado Alexandre Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista.

Após a condenação, ele perdeu o mandato e fugiu do país para evitar o cumprimento da pena e passou a residir nos Estados Unidos.

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Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo a corporação, o ex-deputado foi detido na cidade de Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

Cuba confirma encontro em Havana com delegação dos EUA

Por MRNews

Em declarações ao jornal Granma, Alejandro García, diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba para os Estados Unidos, confirmou nesta segunda-feira (20) o recente encontro em Havana, capital da ilha, entre delegações da nação caribenha e dos Estados Unidos.

Durante a sessão de trabalho, os diplomatas cubanos deram prioridade máxima à exigência de que a Casa Branca suspenda o embargo energético imposto ao país .

O diplomata especificou que o lado americano era composto por secretários-adjuntos do Departamento de Estado , enquanto do lado cubano participavam “no nível de vice-ministro das Relações Exteriores “.

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Durante a conversa, que García del Toro descreveu como respeitosa e profissional, ficou esclarecido que “nenhuma das partes estabeleceu prazos ou fez declarações coercitivas, como foi mencionado pela mídia americana”. 

O representante oficial enfatizou que essas reuniões são conduzidas com discrição devido à sensibilidade dos temas abordados na agenda bilateral. 

A principal prioridade da delegação cubana nesta reunião foi a exigência do levantamento do embargo energético imposto ao país.

“Eliminar o bloqueio energético contra o país era uma prioridade máxima para nossa delegação. Esse ato de coerção econômica é uma punição injustificada para toda a população cubana. É também uma forma de chantagem em escala global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba, de acordo com os princípios do livre comércio”, enfatizou.

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Bloqueio

Desde 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou o bloqueio de longa data contra Cuba com uma ordem executiva que declara estado de emergência nacional, considerando a maior das Antilhas uma ameaça incomum e extraordinária à segurança dos EUA.

Essa medida dá carta branca a Washington para sancionar países que tentam fornecer petróleo a Cuba direta ou indiretamente, resultando em escassez de combustível que afeta o cotidiano da população cubana.

O governo cubano reiterou sua disposição de dialogar com as autoridades dos Estados Unidos, mantendo uma postura aberta à comunicação, desde que as trocas sejam conduzidas com base no respeito e não na interferência.

Diálogo

Nessa mesma linha, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, em entrevista recente ao veículo de comunicação americano Newsweek, afirmou que é possível dialogar com os Estados Unidos para chegar a acordos em áreas como ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes.

Ele enfatizou que o diálogo deve sempre ocorrer “em termos de igualdade ” e com pleno respeito à soberania, ao sistema político, à autodeterminação e ao direito internacional. 

Mais tarde, em entrevista ao programa Meet the Press da NBC News, o chefe de Estado enfatizou: “Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA.”

Líderes africanos pedem soberania e integração para superar terrorismo

Por MRNews

A soberania e a integração entre países da África são pré-requisito para a paz, estabilidade e segurança no continente. Além disso, investimentos direcionados à população jovem e controle de fronteiras fazem parte do caminho para que a região supere desafios, como à ameaça terrorista.

Essa foi a tônica do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, que acontece nesta segunda-feira (20) e terça-feira (21) em Dacar, capital do Senegal.              

Na sessão de abertura, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, apontou que o mundo passa, nos últimos anos, por desafios como fraturas comerciais entre grandes potências, protecionismo econômico e problemas relacionados às mudanças climáticas.

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“O nosso continente, longe de estar protegido, sofre os efeitos de todas essas crises e ainda precisa enfrentar múltiplas ameaças, como conflitos armados e o terrorismo”, afirmou.

O encontro é realizado desde 2014 pelo governo senegalês e, além de reunir integrantes da alta cúpula de governos, como chefes de Estado, recebe a presença de representantes de organismos internacionais e especialistas.

A edição de 2026 conta com a participação 38 países, sendo 18 das 54 nações do continente africano. Países de fora da região também acompanham as conversas, como o Brasil, representado pela embaixadora no Senegal, Daniella Xavier.

Estabilidade

O tema deste ano é “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”.

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“Esse tema nos convida a uma reflexão profunda sobre o que devemos fazer juntos, com solidariedade, para tirar o continente do ciclo de instabilidade e transformá-lo em um espaço pacífico, integrado, soberano e próspero”, afirmou o presidente senegalês.

Para uma plateia que tinha entre os convidados integrantes de governos europeus que possuem passado de política colonial, como Alemanha, Espanha, Portugal e a França – que colonizou Senegal até 1960 – o presidente Diomaye fez um discurso com ênfase na soberania africana.

“Não podemos mais aceitar que nossa agenda de segurança seja definida fora da África, nem que nosso espaço estratégico seja ocupado sem nosso consentimento”, sustentou.

Ele chamou atenção para o papel da soberania na exploração de recursos naturais, como urânio; e petróleo e gás, descobertas recentes no país.

“Esses recursos não devem mais alimentar apenas indústrias estrangeiras”, afirmou. “Extrair em nosso território, transformar em nosso território e vender a preços justos. Esse é o motor da nossa transformação estrutural”, completou.

Terrorismo no Sahel

Abertura do Fórum internacional de Dacar. Presidente de Senegal, Bassirou Diomaye. Foto: FÓRUM INTERNACIONAL DE DACAR – FÓRUM INTERNACIONAL DE DACAR

Bassirou Diomaye dedicou especial atenção à ameaça do terrorismo, que assola o Sahel, faixa continental de costa a costa que marca a transição entre o deserto do Saara e as savanas ao sul.  

Ele explicou que, desde meados da década de 2010, grupos terroristas filiados ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda começaram a expandir a atuação em direção aos países do Golfo da Guiné, na costa do Oceano Atlântico.

A edição 2026 do Índice de Terrorismo Global aponta que o Sahel é o epicentro do terrorismo no mundo.

O estudo, elaborado pela organização da sociedade civil Instituto para Economia e Paz, registra que a região do Sahel responde por mais da metade de todas as mortes por terrorismo no mundo em 2025.

O Sahel é formado por dez países: Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Guiné, Mali, Burkina Faso, Niger, Chade, Camarões e Nigéria. Desses, três países se destacam negativamente na concentração dos ataques.

Mali, Burkina Faso e Niger, no Sahel central, somam cerca de 4,5 mil atentados nas últimas duas décadas, que resultaram em 17 mil mortes, de acordo com o Índice de Terrorismo Global.

Os especialistas apontam que as três nações são intensamente afetadas por instabilidade política, com cada uma experimentando ao menos um golpe militar na última década. Os três países lidam também com grupos insurgentes em áreas de fronteira.

Ainda segundo o estudo global, uma estratégia-chave dos jihadistas (extremistas islâmicos) tem sido a falta de coordenação de segurança nas fronteiras entre países do Sahel.

“Embora a soberania seja importante em crises internas, aqui é necessária uma resposta multidimensional. Devemos trabalhar igualmente para ter um controle efetivo sobre as fronteiras”, defendeu o senegalês.

“Não pode haver um perigo de segurança no Mali que não diga respeito ao Senegal, ou vice-versa. É por isso que uma resposta puramente endógena [interna] de um país contra o terrorismo não seria eficaz”, exemplificou, citando o país vizinho.

O presidente de Senegal considera que o terrorismo deve ser enfrentado com resposta militar, controle eficaz de fronteiras e troca de informações e operações conjuntas entre as diferentes forças de defesa e segurança dos países.

Política para jovens e integração

Abertura do Fórum internacional de Dacar. Presidente de Serra Leoa, Julius Manda.  – FÓRUM INTERNACIONAL DE DACAR

O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, relacionou problemas de segurança na África à falha de representação pelos Estados. O líder do país na África Ocidental apontou que muitos jovens são recrutados para círculos de violência porque nenhuma instituição ofereceu a eles alternativas.

Ele apontou investimentos direcionados à juventude não como política social, mas como estratégia de segurança nacional.

“Extremismo e crime organizado encontram espaço nas falhas de governança e em um crescente e perigoso distanciamento entre cidadãos e o Estado. Grupos extremistas recrutam onde há desespero”, discursou.

Julius Maada lembrou que lutou na guerra civil do país (1991 e 2002). “Perdemos uma década, perdemos vidas”.

Com essa experiência, ele afirmou que a paz não é apenas a “ausência de guerra e o silêncio das armas”. “Mas sim o som de pessoas vivendo com dignidade e acreditando no próprio futuro”.

Ele reforçou o posicionamento de líderes africanos em defesa de estabilidade, integração e soberania como soluções duradouras para os desafios de segurança.

“Integração não existe sem soberania. Soberania não se sustenta sem estabilidade. Se puxarmos apenas um desses elementos, todo o sistema se desfaz”, declarou.

O presidente do país, que tem no passado períodos de colonização portuguesa e britânica, jogou luz na necessidade de autodeterminação dos africanos para os problemas atuais.

“Devem ser soluções africanas, baseadas na realidade africana, não apenas modelos importados adaptados superficialmente”, disse.

“Parcerias são bem-vindas, mas parcerias verdadeiras respeitam a autonomia africana”.

Ele afirmou ainda que a unidade entre países africanos é caminho para a sobrevivência das nações. 

Independência com integração

O presidente da Mauritânia, Mohamed Cheikh El Ghazouani, elencou que tensões identitárias, déficits de governança, rupturas institucionais, vulnerabilidades econômicas, efeitos das mudanças climáticas e a expansão de grupos armados não estatais são fatores que colocam à prova a coesão das sociedades.

Alinhado ao discurso pró-soberania, ele ressaltou que país independente não é sinônimo de isolacionismo. “Nenhum Estado pode, isoladamente, enfrentar os desafios da globalização, da fragmentação das cadeias de valor e das transformações geopolíticas”, afirmou.

O líder da Mauritânia considera que para a África, a integração é “mais que uma opção, é uma necessidade”.

“Ao reduzir dependências externas, reforçar complementaridades regionais e ampliar a voz do continente no cenário internacional, a integração oferece à África meios de defender melhor seus interesses”.

Comércio

El Ghazouani defendeu o fortalecimento da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). Para o mauritano, ao favorecer o comércio entre países africanos, facilitar a circulação de bens, serviços e pessoas, a Cedeao mostra-se um “importante motor de transformação econômica”.

Atualmente, a comunidade econômica, que reúne 12 países, é liderada pelo presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, que busca a reampliação da área de comércio.

“Tenho de convencer os nossos mais de 400 milhões de cidadãos de que a Cedeao importa e que devemos permanecer unidos, examinando os desafios que levaram os nossos irmãos à decisão de sair”, declarou Maada Bio.

A afirmação foi um recado para Mali, Níger e Burkina Faso, que abandonaram a comunidade econômica nos últimos anos, por a considerarem subordinada aos interesses estrangeiros. 

Os demais países africanos participam do fórum apenas com delegações ministeriais. Entre os temas principais abordados nos dois dias de fórum figuram soberania tecnológica e digital, recursos naturais, transição política e indústria de defesa.

*O repórter viajou a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Estrangeiro.

Onda de calor atingirá 4 estados; Inmet alerta para riscos à saúde

Por MRNews

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso vermelho, que indica grande perigo, para uma onda de calor que poderá atingir os estados do Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O alerta está em vigor desde domingo e seguirá até as 18h de sábado (25). O aviso cobre uma faixa que se estende do oeste do Mato Grosso do Sul (município de Corumbá) até a ponta noroeste do Rio Grande do Sul (Frederico Westphalen e cidades próximas). Confira no mapa abaixo:

O grau de severidade se dá em razão do risco à saúde, uma vez que a previsão é de temperaturas 5ºC acima da média por período maior do que 5 dias. 

Previsão

De acordo com comunicado do Inmet, a semana de 20 a 27 de abril inicia com temperaturas máximas em torno de 30 °C, declinando gradualmente ao longo da semana, especialmente na Região Sul. Santa Catarina terá chuva fraca e o Paraná terá tempo estável e seco.

Se aproximando da marca de dois anos das chuvas que causaram enchentes em quase todos os municípios, o Rio Grande do Sul poderá assistir “a formação de um sistema de baixa pressão que levará à ocorrência de tempo severo e fenômenos adversos”, entre eles temporais, chuvas intensas, rajadas, raios e granizo, logo nos primeiros dias da semana.

Conforme previsão do Inmet, o oeste gaúcho pode registrar mais de 100 mm de chuva acumulada. Para o estado, há alerta de perigo potencial de ventos intensos (de 40-60 km/h), e queda de granizo.

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Outra área com indicação de perigo cobre uma extensa faixa sobre parte de três regiões, desde o Acre ao Ceará, que poderá levar chuvas intensas também a Rondônia, Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Tocantins, Pará, Amapá, Maranhão e Piauí.

Os maiores volumes de chuva na Região Norte deverão cair no oeste amazonense e em Roraima. No Nordeste, o Inmet prevê chuva de até 100 mm em pontos isolados do Maranhão, Piauí e Ceará.

As condições do tempo são mais estáveis no Centro-Oeste. “No norte de Mato Grosso, pode chover até 40 mm. No Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul, há chances mínimas de chuvas rápidas e isoladas”, prevê o Inmet.

 

Azul Fidelidade em crise; status Diamante perde valor e já equivale ao nível básico de outras companhias

Por MRNews

Azul Fidelidade em crise: status Diamante perde valor e já equivale ao nível básico de outras companhias

O programa de fidelidade da Azul Linhas Aéreas, o Azul Fidelidade, vive um momento delicado — e isso já não é mais segredo entre os viajantes frequentes. O que antes era um dos status mais desejados do mercado brasileiro, hoje enfrenta uma forte desvalorização, especialmente no nível Diamante.

A percepção geral é clara: o status Diamante perdeu relevância e, na prática, passou a equivaler a níveis intermediários — ou até básicos — em outras companhias aéreas ao redor do mundo.

Quando todo mundo é Diamante, ninguém é exclusivo

Durante anos, a estratégia da Azul foi expandir rapidamente sua base de clientes e fortalecer o programa de fidelidade. Para isso, facilitou o acesso ao nível Diamante de diversas formas:

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  • Upgrade automático via cartões de crédito
  • Promoções com transferência de pontos
  • Manutenção do status mesmo sem uso ativo
  • Critérios pouco rígidos para qualificação

O resultado foi previsível: uma explosão no número de clientes Diamante e, consequentemente, a perda de exclusividade.

No mercado de milhas, exclusividade é tudo. Quando um status se torna comum, ele deixa de ser diferencial.

Status Diamante hoje vale pouco — e não gera status match

Um dos pontos mais críticos é que o status Diamante da Azul já não é reconhecido como relevante por outras companhias aéreas.

Na prática:

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  • Equivale, em muitos casos, a um status Prata em programas internacionais
  • Não gera status match competitivo com outras empresas
  • Perde em benefícios quando comparado a concorrentes diretos

Programas como Smiles (da GOL Linhas Aéreas) e LATAM Pass (da LATAM Airlines), por exemplo, oferecem níveis superiores mais bem estruturados e com maior reconhecimento no mercado global.

Ou seja: hoje, ser Diamante na Azul não significa necessariamente viajar melhor.

Tentativa de correção: o Diamante Unique

Diante da crise de percepção, a Azul lançou o chamado Diamante Unique, uma nova categoria mais restritiva dentro do programa.

Para alcançar esse nível, os critérios ficaram mais exigentes:

  • 26 trechos voados + 26 mil pontos qualificáveis
    ou
  • R$ 50 mil em gastos com a companhia

A ideia é clara: tentar resgatar a exclusividade perdida.

O problema? A mudança veio tarde.

Falta de timing custou caro

Enquanto a Azul demorava para ajustar seu programa, o mercado evoluiu. Outras companhias passaram a oferecer:

  • Regras mais claras
  • Benefícios consistentes
  • Melhor previsibilidade no uso de milhas

Isso fez com que muitos clientes migrassem para alternativas mais vantajosas.

No universo das milhas, timing é tudo. E a Azul perdeu esse tempo.

Emissões com pontos: cenário imprevisível

Outro problema recorrente no Azul Fidelidade é a inconsistência nas emissões com pontos.

Hoje, o cenário é de extremos:

  • Ou você encontra boas oportunidades
  • Ou os valores são completamente fora da realidade

Isso dificulta qualquer planejamento estratégico de viagens, tornando o programa menos confiável para quem busca previsibilidade.

Cartões de crédito também entram na conta

Os cartões co-branded da Azul também contribuíram para a desvalorização do status.

Instituições como Itaú facilitaram o acesso ao nível Diamante, muitas vezes sem exigir um alto nível de engajamento real com a companhia.

Esse tipo de estratégia pode gerar crescimento no curto prazo, mas compromete o valor do programa no longo prazo — exatamente o que está acontecendo agora.

Conclusão: ainda vale a pena?

Hoje, o Azul Fidelidade deixou de ser uma escolha óbvia para quem busca eficiência no acúmulo e uso de milhas.

O status Diamante:

  • Perdeu exclusividade
  • Não é bem reconhecido fora da Azul
  • Não garante benefícios realmente diferenciados
  • Não oferece status match relevante

A criação do Diamante Unique é um passo na direção certa, mas ainda insuficiente para recuperar a confiança do mercado.

Para o viajante estratégico, a recomendação é clara: diversificar. Avaliar programas como Smiles e LATAM Pass pode ser mais vantajoso no cenário atual.

No fim das contas, milhas não são sobre lealdade — são sobre custo, benefício e resultado.


Tags: Azul Fidelidade, Azul Linhas Aéreas, status Diamante, milhas aéreas, programas de fidelidade, LATAM Pass, Smiles, viagens, cartão de crédito, milhas 2026

Brasil e Alemanha firmam acordo sobre minerais críticos e terras raras

Por MRNews

Brasil e Alemanha assinaram nesta segunda-feira (20), em Hannover, uma declaração conjunta de intenções para ampliar a cooperação científica e tecnológica na área de minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de tecnologias emergentes.

O ato foi firmado durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu com o chanceler federal do país europeu, Friedrich Merz.

O acordo, firmado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, estabelece as bases para intensificar ações conjuntas em pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva desses insumos.

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Os minerais críticos são elementos essenciais para tecnologias modernas, defesa e transição energética, como fabricação de baterias, painéis solares e turbinas, cuja oferta enfrenta riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores.

O Brasil está entre as maiores reservas dessas matérias-primas no planeta. O assunto foi mencionado por Lula em declaração a jornalistas após o encontro bilateral com Merz. O presidente brasileiro enfatizou a necessidade de que a exploração dos minerais não seja apenas a venda da matéria-prima.

“Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities“, afirmou.

 

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Pelo acordo de cooperação, também citado por Merz na declaração à imprensa, Brasil e Alemanha prometem expandir ainda mais a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação nas áreas de exploração, extração e processamento de minerais críticos, como terras raras e outros metais e minerais.

Ambos os países reconhecem a importância estratégica das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação para aumentar o valor agregado ao longo das cadeias de valor dos minerais críticos e estratégicos, contribuindo para o desenvolvimento industrial sustentável, a soberania tecnológica e o fortalecimento das capacidades industriais internas.

Entre os compromissos firmados, está o apoio à inovação, em particular por pequenas e médias empresas em ambos os países, início de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a gestão responsável de minerais críticos, intercâmbio de cientistas, pessoal técnico de pós-graduação. Um novo programa bilateral de financiamento direto às instituições e empresas nacionais dos dois países deverá ser elaborado ainda em 2026, prevê o acordo.

Outros acordos

Além do acordo de cooperação sobre minerais críticos, Brasil e Alemanha adotaram outros 14 atos conjuntos durante a viagem oficial de Lula ao país europeu.

Entre eles, está um acordo de cooperação para fortalecer o combate a crimes ambientais, como desmatamento, tráfico de fauna e flora, pesca e mineração ilegais. Outro acordo trata sobre cooperação na área de inteligência artificial, com foco em governo digital e aplicações industriais.

Também foi firmada uma carta de intenções em que o governo alemão propõe ampliar o aporte de recursos ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas, coordenado pelo governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O objetivo será financiar projetos, estudos e iniciativas voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa e à adaptação aos efeitos das mudanças climáticas no Brasil. Do lado alemão, o banco de desenvolvimento do país, o KfW, deverá aportar cerca de 500 milhões de euros no fundo.

Os dois governos também assinaram documentos de cooperação nas áreas de defesa, pesquisa oceânica, apoio a micro e pequenas empresas, pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas, economia circular, entre outros.

Em sua segunda viagem oficial à Alemanha no atual mandato, Lula foi recebido com honras militares em Hannover, para se reunir com Merz. O Brasil é um dos poucos países com quem a Alemanha tem um acordo de parceria estratégica, considerado o mais alto grau de relação diplomática entre países.

“Essa proximidade é mais importante do que nunca nesses tempos de tantas mudanças na ordem mundial. Queremos fortalecer o benefício comum e expandir nossa rede. Queremos ser parceiros fortes e com ideias afins”, disse o chanceler alemão na declaração à imprensa.

Além do encontro bilateral, Lula discursou na abertura da maior feira industrial do mundo, a Hannover Messe, que este ano destaca o Brasil. Ele também participou de um encontro com empresários brasileiros e alemães, em que enfatizou as oportunidades no setor de biocombustíveis.

Filme selecionado em edital da TV Brasil vence festival internacional

Por MRNews

O documentário Sagrado, dirigido por Alice Riff e selecionado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por meio do edital Seleção TV Brasil, foi consagrado como melhor longa ou média-metragem brasileiro no 31º Festival Internacional É Tudo Verdade, um dos mais importantes eventos dedicados ao cinema documental no mundo. A premiação reforça o papel estratégico da TV pública na promoção, financiamento e circulação do audiovisual nacional de qualidade.

Além do prêmio principal, Alice Riff também recebeu o título de Melhor Direção, concedido pela Associação Paulista de Cineastas, ampliando o reconhecimento da obra e de sua trajetória artística.

Com 90 minutos de duração, Sagrado acompanha o cotidiano de educadores e funcionários de uma escola pública em Diadema (SP), revelando histórias de superação, luta popular e valorização da educação como direito fundamental. O júri destacou a narrativa do filme por ser construída a partir da escuta atenta e do respeito aos personagens, transformando o cotidiano escolar em retrato sensível das disputas por moradia, dignidade e cidadania.

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Para a presidente da EBC, Antonia Pellegrino, o prêmio também simboliza a seriedade da Seleção TV Brasil como política pública estruturante para o setor audiovisual.

“Sagrado é um filme que arrebatou toda a comissão de avaliação do edital Seleção TV Brasil. Anunciamos o resultado da chamada pública em fevereiro. É uma enorme alegria receber a notícia da premiação do filme poucos meses depois da nossa escolha dos 39 projetos contemplados. Este resultado mostra que estamos no caminho certo”, celebra.

Pellegrino conduziu todo o processo de articulação, criação e implementação do edital enquanto ocupava o cargo de diretora de Conteúdo e Programação da empresa. Ela lembra que, em breve, o filme estará na programação da TV Brasil, ampliando o acesso do público em todo o país. “A Seleção foi pensada para isso: para ser mais do que uma janela de exibição, mas um instrumento efetivo de fortalecimento da parceria entre comunicação pública e setor audiovisual ”, afirma Antonia Pellegrino.

Para a diretora do longa, Alice Riff, o reconhecimento de Sagrado no Festival Internacional É Tudo Verdade valoriza tanto o resultado artístico quanto as histórias retratadas no documentário. Segundo a cineasta, trata-se de uma narrativa profundamente conectada à experiência da população brasileira e que dialoga com um público amplo ao tratar do cotidiano, das lutas sociais e da valorização dos profissionais da educação.

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“É um filme que é muito próximo de nós, brasileiros. Quantos de nós passamos por uma escola, quantos de nós temos lembranças de professores, quantos de nós não temos nas nossas famílias mães, tias, avós que foram professoras”, afirma.

A diretora também destaca o papel da TV pública e da Seleção TV Brasil na viabilização e circulação de produções como Sagrado, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo audiovisual nacional no mercado. “A gente tem uma produção audiovisual no Brasil muito boa, muito potente, mas com muita dificuldade de distribuição. Por isso a TV pública é essencial para apoiar, amplificar e ser parceira nessas histórias”, ressalta.

Alice enfatiza ainda o alcance da emissora como um diferencial importante: “A TV Brasil é um canal aberto que está nas televisões de todos os brasileiros. Ter como primeira janela de televisão a TV Brasil é maravilhoso, porque fica evidente que quem apoiou esse filme foi uma TV pública”.

Com a vitória no É Tudo Verdade, festival reconhecido pela Academia de Hollywood, Sagrado passa a ser elegível para concorrer ao Oscar, ampliando sua projeção internacional e reafirmando a capacidade do audiovisual brasileiro de dialogar com o mundo.

O Festival reuniu este ano 75 filmes de 25 países. Na competição internacional, o premiado foi o longa luso-espanhol Um Filme de Medo. Entre os curtas-metragens, venceram o cubano-italiano Sonhos de Apagão e o brasileiro Os Arcos Dourados de Olinda.

Edital Seleção TV Brasil

A Seleção TV Brasil é considerada o maior investimento já realizado pelo Estado brasileiro em conteúdos destinados à televisão pública, com R$ 110 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), em parceria com o Ministério da Cultura, a Ancine e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A iniciativa reafirma a EBC como agente central na articulação de políticas públicas para o audiovisual, promovendo diversidade, inovação e acesso democrático à produção cultural brasileira.

Mulheres empreendem em bioeconomia e mudam de vida no Sudeste do Pará

Por MRNews

Em Paraupebas, no sudeste do Pará, a força criativa de mulheres tem transformado vidas. Seja com a produção de mel, cerâmica ou de biojoias feitas com sementes, essas mulheres mostram que é possível liderar negócios aliando a realização pessoal com a valorização cultural da região, a preservação da floresta e a geração de renda.

Essas mulheres vivem próximas à Floresta Nacional de Carajás e à maior mina de ferro a céu aberto do mundo. E é ali que elas vêm coletando materiais para suas produções e conquistando também sua independência financeira, além de um papel de protagonismo na comunidade.

Uma dessas iniciativas impulsionadas por mulheres é a Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). A associação existe há cerca de dez anos e trabalha tanto com mel proveniente da apicultura, com as abelhas mais conhecidas, quanto da meliponicultura, que consiste na criação de abelhas sem ferrão, que são resgatadas de zonas de supressão.

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O incentivo à criação de abelhas contribui não só para a preservação da natureza como também oferece alternativas de geração de renda para essas mulheres.

“A gente só sabia passar e cozinhar”, contou Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da associação. “Mas, quando colocaram essa ideia nas nossas cabeças, de que a gente podia fazer outras coisas fora de casa, abraçamos. Isso foi nos transformando. Até saímos para estudar”.

 

Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). Foto: Washington Alves/ Light Press/Divulgação

A fundadora conta que voltou a estudar com 51 anos e que muitas dessas mulheres eram analfabetas.

“Saímos de dentro da cozinha, de dentro daquela vida que era só a mesma, e hoje estamos empreendendo e, para nós, isso é muito gratificante”, ressaltou.

Agora, diz Ana Alice, elas já não têm mais tempo para cuidar dos afazeres domésticos. “Mudou tudinho. A gente não tem mais muito tempo para cozinhar, não. Nem para organizar a casa”.

A AFMA é composta atualmente por 23 famílias, reunindo tanto mulheres quanto homens. À semelhança das colmeias, as fêmeas cuidam dos principais afazeres desse trabalho, como cuidar das finanças e de envasar, rotular e colocar o preço no produto.

“Os homens vão para o apiário, mas quem administra são as mulheres”, disse Ana Alice, que já foi presidente da associação. “A gente vai organizando todo mundo e fazendo o que é melhor para produzir e para aumentar essa produção, assim como as abelhas fazem”, destacou.

 

Criação de abelhas da Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). Foto: Washington Alves/ Light Press/Divulgação

Mulheres empreendedoras

Só no ano passado, mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no Brasil foram liderados por mulheres. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal.

Segundo esse levantamento, quatro entre cada dez pequenos negócios abertos no país em 2025 foram criados por mulheres, superando em mais de 320 mil o verificado no ano anterior.

Em entrevista à Agência Brasil, a gerente da Unidade de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, Renata Batista,  destacou que o número de mulheres donas de negócios passou de 8,2 milhões, em 2015, para 10,4 milhões, em 2025 ─ um crescimento de 27% em dez anos, acima do avanço observado entre os homens.

“Isso acontece por uma combinação de fatores: maior escolarização feminina, a busca por autonomia financeira, a necessidade de geração de renda e a ampliação do acesso à formalização, especialmente via MEI [microempreendedor individual]. Ao mesmo tempo, o empreendedorismo tem sido uma porta de entrada para as mulheres transformarem o conhecimento, o talento e o vínculo com o território e o negócio”, acrescentou.

Apesar desse crescimento, as mulheres ainda não representam nem metade dos novos pequenos empreendimentos abertos no país. No estado do Pará, por exemplo, apenas 37,6% das pequenas empresas criadas em 2025 eram lideradas por mulheres.

Mesmo com dificuldades, essas mulheres vêm buscando abrir espaços nesse mercado, contando com apoio do Poder Público ou de empresas privadas.

Diretora de soluções baseadas na natureza da mineradora Vale, Patricia Daros, afirma que os negócios tocados por mulheres extrapolam a questão da geração de renda, levantando também a questão de empoderamento feminino que começa a ser mais percebido. Na mineradora, 30% dos 50 projetos de bioeconomia apoiados recentemente são liderados por mulheres.

“A gente começou a perceber, desde quando a gente começou esse trabalho [de fomento], uma mudança do ponto de vista desse perfil de quem está à frente desses negócios, e as mulheres começaram, de fato, a aparecer um pouco mais ultimamente, principalmente em negócios relacionados à bioeconomia”, destacou.

Preciosidades da Amazônia

Emancipado em 10 de maio de 1988, após plebiscito que o desmembrou de Marabá, o município de Parauapebas tem nome de origem tupi, que significa “rio de águas rasas”. Sua formação populacional é resultado de intenso fluxo migratório, impulsionado pela descoberta e exploração de minérios na Serra dos Carajás, a partir da década de 1960.

Hoje, a mineração responde por boa parte da economia, com destaque para o minério de ferro, mas também cobre, manganês, níquel e ouro.

Apesar da mineração, têm crescido na cidade projetos de bioeconomia, como o que transforma mais de 100 tipos de sementes em biojoias que misturam arte e sustentabilidade.

Secretária da Associação Preciosidades da Amazônia e futura presidente da Cooperativa de Trabalho Artesanal da Amazônia, Luciene Padilha, contou que a associação impacta não só a vida financeira, mas também a parte social, econômica e emocional das 12 mulheres participantes.

“Quando fizemos o curso, éramos mulheres em situação de vulnerabilidade, mulheres que não saíam de casa porque tinham medo. Seus provedores diziam: ‘você não sabe, você não pode’. Hoje elas já se posicionam, já se sentem mais fortalecidas e trabalham com empreendedorismo feminino”, comemorou.

A Associação Preciosidades da Amazônia tem apoio da prefeitura, da Vale, do Sebrae e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Tesoureira do grupo, Sandra Brasil explicou que é da natureza que elas extraem as sementes e também sua renda.

“Nós trabalhamos com materiais vegetais e tudo o que a natureza nos permite usar. Nós estamos com um tesouro na mão. Não é só ouro e prata que são tesouros. Nós aprendemos a reconhecer a natureza como o verdadeiro tesouro da humanidade”, destacou.

 

Biojoias produzidas pela Associação Preciosidades da Amazônia. Foto: Washington Alves/ Light Press/Divulgação

Após terem aprendido a confeccionar suas peças, essas artesãs agora têm sido mentoras de novas gerações de empreendedoras. “Quando nós saímos da sala de aula, já saímos com conhecimento suficiente para repassar [para outras pessoas]. Hoje em dia, todas nós vamos para a sala de aula. Já demos até oficinas”, ressaltou.

As biojoias produzidas por essas artesãs têm fortalecido a economia local e contribuído para o sustento de muitas famílias. Mais do que contar histórias, essas peças têm fortalecido laços e também ajudado a preservar a Amazônia.

Para Renata Batista, projetos desse tipo são estratégicos porque mostram, na prática, que é possível gerar renda com a floresta preservada, agregando valor à biodiversidade, ao conhecimento local e a cultura brasileira.

“No caso das biojoias, ainda há um componente muito forte de identidade e diferenciação. O Sebrae aponta que esse mercado vem ganhando espaço porque une materiais naturais, processo artesanal e valorização de histórias, crenças e tradições do país”.

Mulheres de barro

Já o grupo Mulheres de Barro, formado por ceramistas de Parauapebas, surgiu durante a implantação do projeto Salobo, maior projeto de exploração de minério de cobre do país, tocado pela Vale no interior da Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri (Flonata), em Marabá.

Durante o projeto Salobo, foram encontrados artefatos arqueológicos presentes na floresta e que datam de 6 mil anos atrás. E foi a partir dos trabalhos de prospecção e de salvamento arqueológico desses artefatos, conduzidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi e pela Vale, que o grupo se formou. Em oficinas de educação patrimonial, essas mulheres conheceram a história local e tiveram acesso a ensinamentos sobre a cerâmica, o que permitiu que criassem peças inspiradas nesse passado.

Nessas oficinas, elas aprenderam que a cerâmica produzida pelos povos que habitavam as proximidades do Rio Itacaiúnas e seus afluentes eram utilizadas para rituais ou como objetos de uso cotidiano. Desde então, a partir dessa memória, essas artesãs começaram a produzir novas histórias e a moldar peças contemporâneas com referências arqueológicas.

As formas e grafismos dessas novas peças são inspiradas nos vestígios recuperados nesses sítios arqueológicos da Serra dos Carajás. Já a base da pintura são pigmentos provenientes de minerais da região, como minério de ferro, manganês e argilas coloridas.

 

Cerâmicas produzidas pelo grupo Mulheres de Barro. Foto: Washington Alves/ Light Press/Divulgação

Presidente do Centro Mulheres de Barro, Sandra dos Santos Silva contou que, depois de 2002, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu no processo de licenciamento das pesquisas arqueológicas uma obrigação de fazer educação patrimonial para informar a comunidade do entorno sobre os resultados.

“E foi aí que eu digo que o universo conspirou a nosso favor, porque a gente estava buscando isso: participamos dessa formação durante seis anos. A gente não sabia fazer cerâmica, aprendemos do zero”, contou ela, que lidera uma cooperativa formada por 18 mulheres e quatro homens, que não só fabricam peças como também ministram cursos e oficinas.

Agora, essas mulheres ajudam a preservar a memória ancestral da região e também a floresta onde esses vestígios de cerâmicas foram encontrados. Para isso, elas deixam de coletar a argila diretamente da natureza, o que seria um processo degradante, para utilizar sobras de construções para a produção de suas peças.

“Com essa ideia de sustentabilidade, observamos que sempre há sobra [de argila] em todas as construções na cidade. Era uma quantidade imensa de argila descartada. A gente usa esse descarte das obras para fazer um processo de peneiramento da argila: a gente dilui, peneira, bate numa betoneira, dilui muito bem, coloca para decantar e aí vai tirando a água até ela ficar na consistência de um açaí do grosso. Daí, coloca para desidratar até chegar ao ponto de modelagem”, explicou Sandra.

Por meio desses trabalhos, o Centro Mulheres de Barro vem mudando a vida de várias mulheres de Parauapebas. E esse conhecimento ancestral, que chegou às fundadoras do Mulheres de Barro, agora começa também a ser repassado para as novas gerações.

“Eu nunca tinha mexido com barro. Mas agora me sinto muito feliz”, contou Maria do Socorro Assunção Teixeira, 62 anos, uma das fundadoras do grupo. “Agora eu me vejo como multiplicadora de conhecimento. Nós passamos [esse conhecimento] para outras pessoas”, ressaltou.

 

Maria do Socorro Assunção Teixeira, fundadora do Centro Mulheres de Barro. Foto: Washington Alves/ Light Press/Divulgação

Bioeconomia

Essas pequenas iniciativas lideradas por mulheres no Pará são exemplos de projetos de bioeconomia, um modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos naturais.

“Quando uma mulher lidera um negócio de economia no território amazônico, ela não está apenas vendendo um produto, mas ela está ajudando a construir uma economia mais enraizada no território, com mais identidade, mais valor agregado e mais capacidade de distribuir renda localmente”, destacou a gerente do Sebrae no Pará.

“Negócios como biojoias, artesanato de base sustentável, cosméticos naturais e outros produtos da sociobiodiversidade mostram que a Amazônia pode ser também o espaço de inovação econômica baseada em ativos da floresta e não só em atividade de baixo valor local”, acrescentou.

Além desses projetos serem sustentáveis, eles também fortalecem as tradições locais e as cadeias produtivas. Na Amazônia, os resultados positivos dessa forma sustentável de negócio têm atraído, cada vez mais, investimentos de governos e da iniciativa privada.

Todos os projetos citados nesta matéria, por exemplo, receberam apoio do Fundo Vale, associação sem fins lucrativos mantida pela mineradora e que busca acelerar negócios de impacto que valorizam a floresta em pé e o uso sustentável da terra.

“Quando a Vale lançou o Fundo Vale, nós olhamos numa perspectiva de pensar essa economia da floresta numa lógica mais justa e de desenvolvimento territorial. Já aportamos mais de R$ 430 milhões em mais de 146 iniciativas na região”, destacou Patricia Daros.

A cada ano, essa bioeconomia da sociobiodiversidade tem movimentado R$ 13,5 bilhões no estado do Pará, impulsionada por cadeias produtivas ligadas à floresta, aos rios e à agricultura familiar. No entanto, esses negócios ligados à biodiversidade, principalmente os tocados por mulheres, ainda enfrentam algumas dificuldades para se manterem em pé.

“Há desafios que são comuns a qualquer empreendedor, como acesso ao mercado, gestão financeira, capital de giro, planejamento e competitividade. Mas, no caso das mulheres, existem ainda barreiras adicionais. O Sebrae destaca que, logo que elas abrem os negócios em proporções semelhantes às dos homens, mesmo elas sendo em média mais escolarizadas, esses empreendimentos tendem a faturar menos”, disse Renata Batista.

Além disso, ressaltou ela, as mulheres tendem a ter mais dificuldade de acesso ao crédito e enfrentam sobrecarga no trabalho, pois tendem a acumular outras atividades relacionadas a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, o que afeta o tempo disponível para qualificação, gestão, capacitação e expansão do negócio.

Por isso, o Sebrae destaca que, para que um negócio relacionado à sociobiodiversidade possa dar bons frutos, é necessário não só produzir bem, mas também estruturar bem a cadeia, a comercialização do produto e o financiamento para o projeto ─ que deve ser compatível com a realidade no campo.

Para fortalecer esses projetos de bioeconomia, o governo federal apresentou recentemente o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). Um dos eixos desse plano é voltado para projetos relacionados à sociobioeconomia e os ativos ambientais.

*A repórter viajou a convite da Vale.