E a CPMI do Cachoeira inventou a corrupção geográfica, deu autonomia e independência a filiais de uma empresa privada e criou a quadrilha sem chefe. Ao não convocar o dono da Delta, Fernando Cavendish, nem os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF), e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), a CPMI passa a mensagem que o esquema era acéfalo. Existia por si só.
Limitar a investigação à demografia é vigarice. Segundo o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), “há indícios evidentes de que essa empresa, a Delta, sob o comando do senhor Cláudio Abreu, serviu à organização criminosa. Na minha opinião, não há ainda indícios suficientes para quebra de sigilos, além das suas filiais no Centro-Oeste”.
Como assim? O Cláudio Abreu era auto-suficiente e agia por conta própria sem o conhecimento do seu patrão? E como ele foi demitido? Então a Delta do centro-oeste fechou, imagino. E a compra pelo grupo JBF, foi da Delta nacional ou apenas de uma região? Por ordem da presidente Dilma, o governo federal irá rever todos os contratos do PAC firmado com a construtora e estuda até, colocar a empresa no rol das inidôneas. Porque, se só há indícios de inidoneidade na filial do centro-oeste? Não faz sentido algum.
Ora, essa investigação seletiva é para quem não quer descobrir nada dos amigos e incriminar apenas os adversários.
Outra manobra absurda da base governista e seu novo soldado alugado, o antigo caçador de marajás, é a insistência na convocação do jornalista Policarpo Junior. Patético, assim como é patética a patrulha virtual do petismo que numa campanha suja, tenta desmerecer a imprensa livre chamando-a de “velha mídia” todas as vezes que a citam. Velhos são os valores que defendem, como as teorias de “O Capital” de Karl Marx, escritas em 1867 e até hoje defendidas; velha é a retórica defendida por Lenin e Trotsky, da segunda década do século passado, que se mostraram as mais genocidas da história da humanidade; velhacos são os que defendem um governo corrupto e criticam a imprensa por ela cumprir o seu papel de denunciar maracutais que já derrubaram 6 ministros de estado.
Fernando Collor, o ex-presidente que saiu pela porta dos fundos do Palácio, enxotado por denúncias, parece ter voltado pela mesma porta dos fundos. Com esse sopro de relevância que lhe concede o PT – aliás, o PT se transformou em expert em ressuscitar defuntos da escória política, fez isso com o moribundo Sarney, Jader Barbalho – que teve a mão beijada por Lula, faz agora Collor, que quer revanche, quer vingar-se de uma revista como se ela fosse culpada pelo seu passado ou pelas denuncias feitas contra ele pelo seu próprio irmão.
E com esses velhos métodos, manobras vigaristas e usando uma massa alugada, que a CPMI dá dicas que inicia já no fim.