Como as nações vão ao inferno

Marcos TroyjoComo as nações vão ao inferno – Folha de São Paulo
Marcos Troyjo
O crescente mal-estar com o estado de coisas no Brasil tem levado as pessoas a perguntar: “como termina essa crise?” “O Brasil sai dessa?” “Quando acaba esse inferno?”

No exterior, queixos caem com a velocidade da transição do hiperentusiasmo com o país ao atual desencantamento. Para os que comparam as nações por seus atributos de poder, prosperidade e prestígio, o Brasil deixou rapidamente o céu da euforia rumo ao inferno do desalento.

Nos anais da triste história mundial de malogros endógenos, o Brasil não está sozinho –tampouco figura entre os casos mais graves.

Apenas para ficar nos últimos cem anos, é fácil concluir que fracassos e desastres a acometer diferentes nações, em variadas escalas, resultam sobretudo da autossabotagem.

O nacional-populismo é, há um século, o grande vilão da prosperidade corroída na Argentina.

A ascensão do totalitarismo na Itália e na Alemanha nos anos 1920-30 não resultou de um vírus externo “plantado” naquelas sociedades, mas da adesão de povo e elite àqueles abjetos sistemas de poder.

Quando o Japão militarista enxergou em possessões francesas, britânicas e holandesas escassamente protegidas no Pacífico uma “oportunidade dourada” para seu expansionismo, poucos japoneses levantaram-se em oposição. Leia Mais

 

Eliane Cantanhêde também comenta o pedido de ajuda do PT ao PSDB

CambalhotasEstadão
Eliane CantanhedeEliane Cantanhêde
Governo é governo, oposição é oposição. Até por isso, mas não apenas por isso, é questionável o ex-presidente Lula pedir ajuda ao antecessor Fernando Henrique para buscar saídas para a imensa crise em que Dilma, o PT e o próprio Lula afundaram o País e se afundaram. Lula e o PT foram implacáveis e duríssimos contra tudo e contra todos, como esperam que tudo e todos sejam condescendentes com eles agora?

Quando ficou evidente que a emenda Dante de Oliveira não passaria no Congresso e as “Diretas Já” teriam de esperar mais um pouco, todas as forças políticas responsáveis se uniram em torno da transição com Tancredo Neves. O PT ficou de fora para privilegiar seu próprio projeto de poder. Quem se opôs às diretrizes de cúpula caiu em desgraça e enterrou precocemente promissoras carreiras políticas.

Quando veio a Constituinte de 1988, todos os setores da sociedade empenharam-se de corpo e alma por suas ideologias, seus interesses e, muitos, por um País melhor. Todos os partidos, após perderem umas, ganharem outras, endossaram o que o grande Ulysses Guimarães carimbou como “Constituição cidadã”. O PT ficou de fora, mais uma vez, para privilegiar seu próprio projeto de poder.

Quando o governo Collor fez água, todas as forças políticas, empresariais, sindicais, estudantis, militares e eclesiásticas aderiram a um pacto de governabilidade em torno do vice Itamar Franco. O PT, tão ativo para derrubar Collor, ficou de fora para privilegiar seu próprio projeto de poder. Luiza Erundina insubordinou-se e nunca mais teve vez no partido. Leia Mais

 

Dora Kramer comenta sobre o pedido de ajuda do PT ao PSDB

Dora-kramerO truque da tréguaEstadão
Dora Kramer
O PT, Lula e companhia quando estão por baixo oferecem aos adversários a mão que afaga; se dão a volta por cima, entra de novo em cena a mão que os apedreja.

Ao longo dos anos, o PSDB teve pesadas provas dessa dinâmica e, provavelmente em decorrência da lição, é que recebeu com prudente reserva a ideia que passou a circular recentemente entre petistas e no governo sobre a abertura de um espaço de entendimento com os tucanos para tratar do arrefecimento da crise política, tendo como interlocutor principal o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ministros se manifestaram a favor, informando que a presidente Dilma Rousseff gostaria de participar. A sugestão em tese razoável, na prática recende a marotagem. O histórico dos petistas no quesito entendimentos não recomenda confiança, não há pauta específica nem igualdade de condições na oportunidade.

Lula e Dilma nada teriam de objetivo a tratar com FH, porque nenhum dos problemas enfrentados pelo governo foi criado pela oposição e, assim, os tucanos não teriam o poder de resolver coisa alguma. A menos que os petistas estejam pensando na hipótese (maluca) de se escorar politicamente no PSDB para contrabalançar a perda de apoio na própria base e passar um “verniz” na imagem do governo.

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Artigo excelente do Josias de Souza. Vale a leitura …

JoaoSantana-DilmaDilma Rousseff cutuca o asfalto com vara curtaJosias de Souza
Dilma Rousseff exibirá sua imagem estilhaçada numa rede nacional de tevê em pleno horário nobre. Aparecerá no programa de um PT levado no embrulho da onda de impopularidade. Sob a direção do marqueteiro João Santana, ela silenciará sobre a Lava Jato e sustentará que a crise econômica é momentânea e que o país logo voltará a crescer. Ainda não se deu conta. Mas cutuca a paciência coletiva com vara curta.

Depois de estrelar sete meses de um segundo mandato caótico, Dilma fará pose de otimista na noite de 6 de agosto, antessala do protesto que as redes sociais convocam contra o seu governo para o dia 16. Não são negligenciáveis as chances de o programa do PT, que terá Lula como ator coadjuvante, ir ao ar ao som de panelas —um veneno que já começou a ser instilado na web. Com taxa de aprovação variando entre 7,7% e 10%, conforme o instituto de pesquisa, Dilma tornou-se um convite ao protesto. Leia Mais

 

“Dilma, eu te amo!” …

No momento em que vaias e críticas públicas aos petistas se tornaram comuns, vira notícia para deleite e compartilhamento dos petralhas na internet quando, durante suas pedaladas matinais a presidente escuta gritos de “Dilma, eu te amo!”. E complementam: não foi na imprensa amiga, “saiu na Época”, como que pra provar a veracidade de notícia tão positiva em meio ao caos de aceitação popular.

Só não informam em seus compartilhamentos que os gritos partiram de apenas duas pessoas, e um deles é servidor do Ministério da Integração Nacional. Arrisco afirmar que deve ser um comissionado petista, e deve estar apavorado com o risco de perder a boquinha caso o impeachment ocorra.

dilmaPresidente sai para pedalar e escuta gritos de ‘Dilma eu te amo’ Época
A presidente Dilma Rousseff saiu para pedalar neste sábado (25/07), nas imediações do Palácio da Alvorada. Dilma percorreu aproximadamente seis quilômetros, das 7 às 7h30, acompanhada de seguranças e do personal trainer. Ao chegar de volta ao Alvorada, ouviu dois homens gritarem “Dilma, eu te amo!”. Um deles era servidor do Ministério da Integração Nacional.

O fantasma de Celso Daniel volta a assombrar a cúpula petista

O petrolão e o mensalãomarcos_valerio_lula_celso_daniel – na Veja, por Daniel Pereira
A CPI da Petrobras pretende convocar o operador Marcos Valério para explicar a conexão entre os dois grandes escândalos de corrupção

A CPI da Petrobras recorrerá a um velho conhecido do PT para mostrar o grau de parentesco dos dois maiores escândalos de corrupção política da história do país. A comissão vai pôr em votação um requerimento de convocação do empresário Marcos Valério, apresentado em março pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF). O objetivo dos parlamentares é checar com o operador do mensalão os detalhes de um depoimento prestado por ele ao Ministério Público Federal, em setembro de 2012, no qual diz que o PT desviou 6 milhões de reais da Petrobras para comprar o silêncio de um empresário que ameaçava implicar o ex-presidente Lula e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho no caso do assassinato do petista Celso Daniel, então prefeito de Santo André (SP). Conforme revelado por VEJA, o dinheiro surrupiado da estatal passou pela conta de uma das empresas de Valério antes de chegar ao chantagista. José Carlos Bumlai, um dos amigos de Lula investigados no petrolão, também desempenhou papel fundamental nessa transação. Leia Mais

 

“Depois que o Léo falar, não tem como não prender o Lula.”

Capa-Veja-LulaSegredos devastadores – Veja
Robson Bonin
Léo e Lula são bons amigos. Mais do que por amizade, eles se uniram por interesses comuns. Léo era operador da empreiteira OAS em Brasília. Lula era presidente do Brasil e operado pela OAS. Na linguagem dos arranjos de poder baseados na troca de favores, operar significa, em bom português, comprar. Agora operador e operado enfrentam circunstâncias amargas. O operador esteve até pouco tempo atrás preso em uma penitenciaria em Curitiba. Em prisão domiciliar, continua enterrado até o pescoço em suspeitas de crimes que podem levá-lo a cumprir pena de dezenas de anos de reclusão. O operado está assustado, mas em liberdade. Em breve, Léo, o operador, vai relatar ao Ministério Público Federal os detalhes de sua simbiótica convivência com Lula, o operado. Agora o ganho de um significará a ruína do outro. Léo quer se valer da lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff, a delação premiada, para reduzir drasticamente sua pena em troca de informações sobre a participação de Lula no petrolão, o gigantesco esquema de corrupção armado na Petrobras para financiar o PT e outros partidos da base aliada do governo.

Por meio do mecanismo das delações premiadas de donos e altos executivos de empreiteiras, os procuradores já obtiveram indícios que podem levar à condenação de dois ex-ministros da era lulista, Antonio Palocci e José Dirceu. Delatores premiados relataram operações que põem em dúvida até mesmo a santidade dos recursos doados às campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e à de Lula em 2006. As informações prestadas permitiram a procuradores e delegados desenhar com precisão inédita na história judicial brasileira o funcionamento do esquema de sangria de dinheiro da Petrobras com o objetivo de financiar a manutenção do grupo político petista no poder.

É nessa teia finamente tecida pelos procuradores da Operação Lava-Jato que Léo e Lula se encontram. Amigo e confidente de Lula, o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro autorizou seus advogados a negociar com o Ministério Público Federal um acordo de colaboração. As conversas estão em curso e o cardápio sobre a mesa. Com medo de voltar à cadeia, depois de passar seis meses preso em Curitiba, Pinheiro prometeu fornecer provas de que Lula patrocinou o esquema de corrupção na Petrobras, exatamente como afirmara o doleiro Alberto Youssef em depoimento no ano passado. O executivo da OAS se dispôs a explicar como o ex-presidente se beneficiou fartamente da farra do dinheiro público roubado da Petrobras. Léo Pinheiro se comprometeu também a passar aos procuradores a lista de despesas da família de Lula custeadas pela OAS. Afirmou ter conhecimento direto de como Fábio Luís da Silva, o Lulinha, fez fortuna atuando na órbita de influência da construtora. Léo Pinheiro disse que, se o acordo for selado, apresentará ainda a lista de todos os políticos que receberam dinheiro do petrolão via OAS. “Depois que o Léo falar, não tem como não prender o Lula. Ou se prende o Lula, ou se desmoraliza a Lava-Jato”, diz um interlocutor de Pinheiro.

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