Agência Minas Gerais | Estado investe R$ 3 milhões em tecnologia para combate ao greening, doença que afeta plantas cítricas

O Governo de Minas, por meio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), assinaram, nesta quinta-feira (14/5), um convênio que prevê investimento de mais de R$ 3 milhões no projeto Citros Guard 4.0. A ação ocorreu dentro da programação do Governo Presente, em Viçosa.

O projeto inovador vai utilizar inteligência artificial para monitoramento e gestão fitossanitária da citricultura mineira, focando, inicialmente, no controle do greening, principal doença que afeta a cultura citríca mundialmente.

Em 2024, Minas Gerais produziu mais de 1,2 milhão de toneladas de citros, entre laranja, tangerina e limão, consolidando-se como o segundo maior produtor do país. O governador de Minas Gerais, Mateus Siomões, reforçou o potencial de crescimento da citricultura mineira.

 








 
 
   
   

 

De acordo com o governador, o investimento vai colaborar diretamente para diversificar a economia de Minas Gerais. “A lavoura da laranja tem alto valor agregado, ela consegue trazer muito mais renda para quem planta e ela permite a presença de pequenos e médios proprietários, o que em outros setores, de agricultura industrial, seria praticamente impossível”, completou.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), Thales Fernandes, afirmou que o greening tem provocado impactos significativos na produção de cítricos no Brasil e no mundo. “Dados mostram que, no ano passado, o Triângulo Mineiro produziu mais laranja do que a Flórida. Esse investimento é muito importante neste momento porque o monitoramento do greening, com o uso de inteligência artificial, vai nos permitir avançar no controle da doença. Após a implementação desse instrumento que estamos assinando hoje, teremos condições de alcançar um crescimento de, no mínimo, 15% da citricultura mineira”.

O investimento integra as ações viabilizadas por recursos do Acordo de Reparação ao rompimento das barragens da Vale S.A., em Brumadinho, assinado pelo Ministério Público de Minas Gerais, Ministério Público Federal, Defensoria Pública de Minas Gerais e Governo de Minas. O rompimento, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, resultou na morte de 272 pessoas.

Monitoramento da doença

Atualmente, há registros de greening em 92 municípios mineiros. As regiões dos Vales do Rio Doce e Jequitinhonha, além do Noroeste e Norte de Minas, seguem sem ocorrências da doença.

A diretora-geral do IMA, Luiza de Castro, explica que a estrutura do projeto alia tecnologia e política pública, com o objetivo de ampliar a segurança sanitária vegetal, antecipar riscos e proteger o ambiente de negócios do setor. “A iniciativa começa com a citricultura, que está em expansão em Minas, e para o enfrentamento da praga que mais afeta a cultura. Futuramente, o projeto será voltado também para outras produções agrícolas”, afirma.

IMA / Divulgação


“Combinar monitoramento em campo e alta tecnologia, como propõe o projeto, contribuirá para reduzir a incidência da doença, permitir intervenções mais rápidas, diminuindo perdas nos pomares que podem chegar a 80%”, explica gerente de Defesa Sanitária Vegetal do IMA, Leonardo do Carmo.

Citros Guard 4.0

O projeto une a demanda do IMA por soluções em defesa fitossanitária à atuação da UFV em pesquisa aplicada ao agro. O convênio foi estruturado em diferentes frentes, incluindo estudos relacionados à produção de mudas, uso de pesticidas, ecotoxicologia e aperfeiçoamento de procedimentos voltados ao setor.

“O projeto lança mão de ferramentas de inteligência artificial para ajudar no acompanhamento, diagnóstico e desenvolvimento de ferramentas de tomada de decisão no monitoramento da produção cítrica”, afirma o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFV, Raul Guedes.

A proposta inclui o uso de drones com câmeras multiespectrais e termais para identificar plantas com sintomas da doença, além da aplicação de aprendizado de máquina para mapear a dispersão do greening e do inseto vetor.

Minas atrai produtores

Para o produtor Antônio Simoneti, diretor executivo da Simonetti Citrus, a iniciativa representa um avanço importante para o setor. “Minas Gerais está saindo na frente nessa nova fronteira da citricultura, e é muito importante buscar tecnologia junto com os pesquisadores para conter o greening e preservar a qualidade da produção”, destaca.

A empresa, que iniciou as atividades em São Paulo, transferiu parte das operações para o Sul de Minas em busca de condições mais favoráveis à citricultura, como clima adequado para frutas de mesa, maior altitude e menor incidência do greening. Atualmente, 70% da produção de laranjas e tangerinas da Simonetti Citrus está concentrada nos municípios de Minduri, Cruzília, Aiuruoca e São Vicente de Minas, com comercialização para diferentes regiões do país.