Itaú The One perde o “ilimitado”, mudança tira parte do glamour, mas pode melhorar experiência do cliente

Por MRNews

O mercado de cartões de alta renda foi surpreendido por uma comunicação enviada pelo Itaú aos clientes do The One. A partir de 30 de julho, os portadores do cartão passarão a visualizar diretamente no aplicativo o limite disponível para compras.

À primeira vista, a mudança pode parecer apenas uma atualização operacional. Porém, para quem acompanha o segmento premium, ela representa o fim de uma das características mais emblemáticas do produto: a percepção de ser um cartão “ilimitado”.

Embora o The One nunca tenha sido tecnicamente sem limite, já que sempre existiram critérios internos para aprovação das transações, o banco não exibia um valor máximo disponível ao cliente. Essa característica ajudava a construir a aura de exclusividade que cercava o cartão desde o seu lançamento.

Agora, essa história muda.

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O comunicado que chamou a atenção do mercado

A mensagem enviada pelo Itaú informa que os clientes poderão acompanhar diretamente pelo aplicativo o limite total e o valor disponível para utilização.

Na prática, o banco passa a adotar uma dinâmica semelhante à observada em praticamente todos os demais cartões do mercado.

A mudança é simbólica porque altera um dos pilares que ajudavam a diferenciar o The One dos cartões convencionais.

O prestígio do cartão “ilimitado” chegou ao fim?

No universo dos cartões premium, exclusividade vale tanto quanto benefícios.

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Durante anos, a ideia de possuir um cartão sem limite visível funcionou como um elemento de status. O cliente não era avaliado por um número exibido na tela, mas sim por seu relacionamento bancário, patrimônio, histórico de gastos e perfil financeiro.

Era uma experiência semelhante à encontrada em alguns dos cartões mais exclusivos do mundo.

Por isso, para muitos clientes de alta renda, a mudança representa uma perda de glamour.

A partir do momento em que o aplicativo passa a exibir um valor específico, a experiência deixa de ser percebida como a de um cartão “sem limite” e passa a se aproximar dos demais produtos premium disponíveis no mercado.

O The One nunca foi um cartão de ultrarrenda

Apesar do posicionamento ambicioso adotado pelo Itaú em determinados momentos, o The One nunca conseguiu se consolidar como um verdadeiro cartão de ultrarrenda.

O produto acabou ficando em uma zona intermediária entre os cartões premium tradicionais e os cartões mais exclusivos do mercado.

Alguns fatores contribuíram para isso.

Pontos negativos

  • Processo de obtenção ficou mais acessível ao longo dos anos;
  • Perdeu parte da exclusividade original;
  • Exigência de limite relativamente baixa para um cartão desse segmento;
  • Pontuação considerada modesta para a categoria (3 e 3,5 pontos por dólar);
  • Anuidade elevada para o conjunto de benefícios oferecidos;
  • Concierge e serviços de atendimento abaixo de alguns concorrentes.

Pontos positivos

  • Reposicionamento recente dentro do programa Minhas Vantagens;
  • LoungeKey ilimitado;
  • Acesso privilegiado à Sala Pedra Preta;
  • Forte integração com o ecossistema Itaú;
  • Reconhecimento da marca junto ao público Personnalité e Private.

O que muda na prática?

A principal diferença é que o cliente passa a enxergar algo que antes ficava nos bastidores.

Em outras palavras, o cartão provavelmente continuará operando com critérios dinâmicos de crédito, mas agora haverá um valor visível para acompanhamento.

Isso reduz parte do prestígio associado ao conceito de limite flexível, mas aumenta significativamente a previsibilidade.

Para quem realiza compras elevadas, viagens internacionais ou movimenta grandes volumes financeiros, saber exatamente qual é o limite disponível pode evitar transtornos.

Por que a mudança pode ser positiva

Nem todos os clientes enxergam a novidade de forma negativa.

Uma das reclamações mais frequentes dos usuários do The One era justamente a falta de clareza sobre sua capacidade de compra em determinados momentos.

Com o limite visível, a gestão financeira se torna mais simples.

Além disso, a mudança pode abrir caminho para uma funcionalidade muito desejada pelos clientes Personnalité: a redistribuição de limites entre diferentes cartões do mesmo relacionamento.

Caso isso aconteça, o cliente terá mais flexibilidade para direcionar seu limite para o produto que utiliza com maior frequência.

A Sala Pedra Preta deu uma sobrevida ao cartão

Se existe um momento adequado para uma mudança como essa, provavelmente é agora.

O The One acaba de receber um dos benefícios mais relevantes de toda sua trajetória: o acesso à Sala Pedra Preta.

Localizada no Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, a nova sala VIP rapidamente se tornou uma das mais exclusivas do Brasil.

Com aproximadamente 1.400 m² e funcionamento 24 horas, o espaço foi desenhado para atender clientes Personnalité e Private com uma experiência significativamente superior à encontrada na maioria dos lounges nacionais.

Para muitos clientes, o acesso à Pedra Preta possui hoje mais valor do que a própria característica de limite flexível que marcou a história do cartão.

Como o The One fica diante dos concorrentes?

O mercado premium mudou radicalmente nos últimos anos.

Quando foi lançado, o The One se destacava por reunir:

  • Limite flexível;
  • Boa pontuação;
  • Benefícios voltados para alta renda.

Hoje o cenário é diferente.

Produtos como C6 Graphene World Legend, BRB DUX, Caixa Altus, Unicred Ímpar e Santander Unlimited disputam o mesmo público oferecendo mais acessos a salas VIP, benefícios para acompanhantes e programas de fidelidade mais agressivos.

Nesse ambiente, a Sala Pedra Preta se tornou um diferencial estratégico para manter o produto competitivo.

Avaliação do Itaú The One em 2026

Item Avaliação
Sala Pedra Preta Excelente
LoungeKey Ilimitado Muito bom
Cartão Black Premium Bom
Benefícios de viagem Bom
Concierge Abaixo dos concorrentes
Limite visível no app Positivo para gestão
Pontuação Fraca, exceto em cenários específicos como TAP
Spread internacional Elevado
Anuidade Alta para o que entrega

Vale a pena continuar com o The One?

Para muitos clientes Personnalité e Private, a resposta continua sendo sim.

O cartão permanece oferecendo acesso a uma das melhores salas VIP do país, mantém os acessos internacionais e continua integrado ao ecossistema de benefícios do Itaú.

O que desaparece é parte do simbolismo que ajudava a construir sua imagem de exclusividade.

O The One perde o charme do “cartão ilimitado”, mas ganha em transparência e praticidade.

E no atual mercado premium, cada vez mais competitivo, talvez essa seja exatamente a direção que o Itaú acredita ser necessária para o futuro do produto.

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